O Banco Central (BC) lançou neste mês um sistema para registrar as chamadas duplicatas escriturais, um tipo de documento digital que comprova que uma empresa tem valores a receber de vendas feitas a prazo. A medida busca ampliar a concorrência e reduzir os custos no mercado de antecipação de recebíveis, operação de crédito usada por empresas para transformar em dinheiro imediato valores que só receberiam no futuro.
Empresas do setor privado, como B3, Cerc e Núclea, foram autorizadas a fazer o registro e a escrituração dessas duplicatas. A expectativa é que o sistema, supervisionado pelo Banco Central, esteja em pleno funcionamento até o fim deste ano.
Nas vendas a prazo, a empresa entrega o produto ou presta o serviço, mas recebe o pagamento apenas depois. Se precisar de dinheiro antes, ela pode antecipar esse valor junto a um banco ou instituição financeira, pagando uma taxa pela operação. Com o novo sistema, diferentes instituições poderão verificar com mais segurança quem tem direito a receber esses valores.
A expectativa do Banco Central é que isso aumente a concorrência entre financiadores e ajude a reduzir os juros cobrados das empresas. O mercado de antecipação de recebíveis, tanto do comércio quanto das incorporadoras imobiliárias, tem alto potencial. O fluxo de vendas a prazo, segundo o Banco Central, é de cerca de R$ 10 trilhões por ano, considerando as notas fiscais emitidas.
Como funciona o novo sistema
Do ponto de vista do fornecedor, será algo extremamente simples, como apertar uma tecla e dizer: ‘eu deixo tal banco ver minhas duplicatas’. Todo mundo vai ver, e aí vai ter uma negociação em que as instituições mandarão cotações de taxas de juros para esse fornecedor, até que ele defina com quem quer fazer negociação. Uma vez feita essa negociação, será emitido o boleto dinâmico, explicou Ricardo Vieira Barroso, chefe de Divisão no Departamento de Normas do BC, ao g1 em 2025.
O sistema autorizado pelo Banco Central, ligado aos chamados boletos dinâmicos, vai garantir que o dinheiro pago pelo cliente seja enviado diretamente à instituição financeira que antecipou os recursos para a empresa. Isso reduz o risco de erros e aumenta a segurança das operações. Além disso, o novo modelo permitirá que as empresas comparem ofertas de diferentes instituições financeiras e escolham aquela que cobrar os menores juros para antecipar seus recebíveis.
Hoje, sem os boletos dinâmicos, empresas que vendem produtos e serviços por boleto, incluindo incorporadoras imobiliárias, costumam ficar sujeitas a taxas mais altas e menor transparência. A mudança representa um avanço significativo na modernização do mercado de crédito empresarial, com potencial para beneficiar milhares de pequenas e médias empresas que dependem da antecipação de recebíveis para manter o fluxo de caixa.
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