Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24 anos, investigados por estuprar meninas, orientaram uma vítima de 17 anos e a tesoureira da igreja, Raquel Barros Lira da Silva, de 20 anos, a destruírem um celular que a polícia suspeita que continha provas. Em um vídeo, elas quebram o aparelho com uma marreta. O casal está foragido desde 28 de abril, quando fugiu para Manaus após saber que as vítimas haviam procurado a delegacia.
Segundo a Polícia Civil, Wenderson e Arielly usavam a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, convencendo-as de que os atos sexuais faziam parte de um propósito espiritual. A investigação conduzida pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) aponta que o casal, após fugir, pediu que a vítima e a tesoureira fossem até a casa deles, localizada no terreno da igreja, para buscar e destruir um celular antigo que continha provas. A destruição ocorreu na madrugada de 28 de abril, um dia após a fuga, e os restos do aparelho foram jogados em um bueiro próximo à Avenida Ville Roy.
Destruição de provas e tentativa de obstrução
O inquérito da Polícia Civil detalha que Wenderson enviou uma mensagem pedindo que uma das vítimas fosse até a casa do casal buscar o celular, temendo que o aparelho fosse apreendido. A vítima foi acompanhada da tesoureira Raquel Barros e de outra adolescente de 17 anos que frequentava a congregação. O celular foi destruído a marretadas, e os restos foram descartados em um bueiro. Além disso, Wenderson pediu que a adolescente registrasse, em nome dela, um boletim de ocorrência on-line informando que o celular dele havia sido furtado, justificando que não poderia fazer o registro pessoalmente.
A delegada Kamila Basto afirmou que o casal, ao fugir para Manaus, lembrou-se do celular deixado para trás e pediu que as vítimas e testemunhas jovens destruíssem o aparelho. O vídeo da destruição chegou até a polícia. Raquel Barros Lira da Silva foi indiciada por fraude processual e corrupção de menores, e a Justiça determinou que ela utilize tornozeleira eletrônica.
Em nota, a defesa do casal informou que eles são inocentes, primários, têm bons antecedentes e que nunca responderam a processos criminais. Disse ainda que tenta acesso aos autos para se manifestar sobre o pedido de prisão. O g1 tenta contato com Raquel e não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O caso expõe um padrão de manipulação religiosa e obstrução de justiça, com a destruição deliberada de provas e a tentativa de coagir vítimas e testemunhas. A Polícia Civil continua as investigações para localizar os pastores foragidos e esclarecer todos os detalhes do esquema de abusos.
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