O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (17) que só comentará o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos após o presidente norte-americano Donald Trump se manifestar sobre o assunto. Em declaração durante visita à Carreta da Saúde da Mulher, no Rio de Janeiro, Lula disse que não permitirá que a sociedade brasileira seja enganada e defendeu a soberania do país. A fala ocorre em meio à confirmação, pelos Estados Unidos, de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, ampliando a pressão comercial sobre o Brasil.
“Eu falei para caramba e não falei do tarifaço. Não vou falar, porque a notícia tem que ser o SUS [Sistema Único de Saúde], a notícia tem que ser as nossas carretas, a notícia tem que ser o tratamento das mulheres. Por isso, vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei”, afirmou o presidente, durante agenda na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) voltada à ampliação do acesso a serviços de saúde para mulheres.
“Porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira”, prosseguiu Lula, em tom de desafio. A declaração reforça a postura de cautela do governo brasileiro diante da medida, que deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio para os EUA, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Panorama político e reações
Em outro momento do pronunciamento, o presidente enfatizou a posição de soberania do Brasil. “Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo”, emendou. A fala ocorre em um contexto de tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas, com impactos diretos sobre setores como o agro, a indústria e o comércio bilateral.
Em resposta ao novo tarifaço, o governo brasileiro passou a discutir medidas para reduzir os impactos sobre os setores mais afetados e acelerar a diversificação dos mercados de destino das exportações nacionais. No campo diplomático, o Ministério das Relações Exteriores tem mantido contatos com autoridades americanas e defendido a revisão da medida. O chanceler Mauro Vieira lidera as articulações, buscando evitar uma escalada de retaliações que possa prejudicar ainda mais as relações bilaterais.
Na mesma ocasião, Lula também comentou sobre a seleção brasileira de futebol, que “fracassou” na Copa do Mundo, mas defendeu o orgulho nacional. “Quando andar pelo mundo afora, ninguém que ouse falar mal do Brasil, ninguém, porque nós não somos os melhores do mundo. Nós vimos o fracasso da nossa seleção agora na Copa do Mundo, mas nós temos que ter orgulho de brasileiro”, argumentou, conectando o sentimento de soberania à identidade nacional.
O tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros foi confirmado pelos Estados Unidos nesta semana, ampliando a pressão comercial sobre o Brasil. A medida, que já gerou reações no setor produtivo e no Congresso Nacional, coloca o governo brasileiro em uma posição de negociação delicada, enquanto busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a manutenção de canais de diálogo com Washington.
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