Os Estados Unidos atacaram pontes no Irã, e Teerã respondeu atacando uma usina de energia e dessalinização no Kuwait nesta sexta-feira (17). A troca de agressões é o mais recente capítulo de uma nova escalada militar após o fracasso do cessar-fogo assinado entre os dois países em junho. No mar, onde o conflito renovado voltou a interromper o abastecimento de energia proveniente do Golfo Pérsico, fuzileiros navais dos EUA abordaram um petroleiro próximo ao Estreito de Ormuz. Homens armados apreenderam outra embarcação ao largo do Iêmen, gerando preocupação com a segurança no outro grande ponto de estrangulamento do Oriente Médio para o transporte de petróleo, na foz do Mar Vermelho.
A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim informou na noite desta sexta-feira que a marinha da Guarda Revolucionária havia “atacado” um navio com bandeira tailandesa que tentava atravessar o Estreito de Ormuz. A agência não forneceu mais detalhes. Washington e Teerã vêm testando os limites da escalada desde que seu acordo de cessar-fogo fracassou na semana passada, aumentando a possibilidade de uma guerra aberta vivida entre março e abril.
Após relatos da escalada nesta sexta-feira, os preços de referência do petróleo bruto Brent subiram 3% e estavam a caminho de um terceiro ganho semanal consecutivo, exercendo pressão política sobre o presidente dos EUA, Donald Trump, antes das eleições legislativas de novembro. Trump ameaçou lançar ataques aéreos em grande escala contra a infraestrutura do Irã e também se recusou a descartar um ataque terrestre na costa ou nas ilhas do Irã. Autoridades norte-americanas afirmaram que os ataques ao sul do Irã têm como objetivo, em parte, oferecer opções a Trump.
Tais medidas correm o risco de provocar uma escalada por parte do Irã, que poderia atingir a infraestrutura vital de países vulneráveis do Golfo, ou fazer com que seus aliados no Iêmen perturbem ainda mais o abastecimento global de energia ao atacar navios no Mar Vermelho. Mohsen Rezaei, assessor do líder supremo do Irã, alertou nesta sexta-feira contra uma escalada por parte dos EUA ou qualquer tentativa de ocupar território iraniano. “Se os ataques dos EUA continuarem por mais alguns dias, entraremos em uma fase de operações ofensivas em grande escala”, disse Rezaei, ex-comandante sênior da Guarda Revolucionária, à televisão estatal.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou-se preocupado com a escalada, particularmente com os “ataques à infraestrutura civil no Irã e no Kuwait”, segundo comunicado divulgado pela organização. A comunidade internacional acompanha com apreensão o avanço das hostilidades, que ameaçam desestabilizar ainda mais o Oriente Médio e comprometer o fluxo global de energia.
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