Brasil recalibra estratégias para responder a tarifaço dos EUA sem prejudicar economia nacional

Após o anúncio do novo tarifaço de Donald Trump às exportações brasileiras, o governo federal começou a recalibrar as estratégias para responder à ofensiva dos Estados Unidos contra o Brasil. O Palácio do Planalto tem como decisão política já tomada a adoção da Lei da Reciprocidade contra os EUA. Segundo interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governo deve iniciar os trâmites para acionar a lei nos próximos dias.

Representantes de setores atingidos pela nova tarifa de 25% reagem à decisão. A lei brasileira, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada por Lula em 2025, permite que o governo brasileiro adote medidas de retaliação contra países ou blocos econômicos que apliquem barreiras comerciais, legais ou políticas contra o Brasil.

Nas palavras de um auxiliar de alto nível da diplomacia brasileira, o governo federal estuda “cirurgicamente” os setores norte-americanos para evitar que a aplicação da Lei da Reciprocidade contra os EUA acabe sendo um “tiro no pé” e prejudique o próprio país. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) confirmou a proposta de um novo “tarifaço” com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho, próxima quarta-feira.

A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. Em um primeiro levantamento preliminar, o governo brasileiro identificou que é possível aplicar medidas contra o setor audiovisual e patentes farmacêuticas, conforme divulgado pela Reuters e confirmado pelo g1.

O processo para a aplicação da Lei de Reciprocidade pode ser demorado, mas a avaliação dentro do governo é que tudo depende de como os setores vão reagir, sobretudo as cadeias afetadas. O governo iniciou nesta sexta-feira (17) as consultas aos setores prejudicados pelo novo tarifaço de Trump e estuda como o Estado pode ajudar efetivamente a diminuir os impactos no país.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, se reuniu com o vice-presidente Geraldo Alckmin e com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Rosa. Segundo nota divulgada pela CNI, durante a conversa, foi proposta a formação de um grupo para discutir uma versão da política industrial Nova Indústria Brasil (NIB).

O panorama político geral mostra que a escalada tarifária dos EUA ocorre em um momento de tensão comercial global, com impactos diretos sobre a economia brasileira. Enquanto o governo busca equilibrar a defesa dos interesses nacionais com a necessidade de evitar retaliações que prejudiquem setores estratégicos, a aproximação do prazo final para as novas tarifas intensifica as negociações entre Brasil e Estados Unidos. A situação também se insere em um contexto eleitoral, com pré-candidatos à presidência moldando suas imagens para conquistar o eleitorado, em meio a debates sobre soberania e competitividade industrial.

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