EUA intensificam ofensiva no Oriente Médio com sétima noite consecutiva de ataques contra o Irã

Os Estados Unidos concluíram, nesta quinta-feira, a sétima noite consecutiva de ataques contra alvos ligados ao Irã no Oriente Médio, em uma operação que já mobiliza mais de 50 mil militares das Forças Armadas norte-americanas na região, segundo informações oficiais divulgadas pelo Pentágono. A escalada militar, que começou há uma semana, representa um dos maiores desdobramentos de forças dos EUA no Oriente Médio desde o início da guerra na Ucrânia, com impactos diretos sobre a segurança energética global e o equilíbrio de poder na região.

De acordo com comunicado do Comando Central dos EUA (CENTCOM), os ataques noturnos têm como alvo instalações de mísseis, drones e sistemas de defesa aérea iranianos, além de bases de milícias apoiadas por Teerã no Iraque e na Síria. A operação, batizada de “Escudo do Deserto”, já destruiu mais de 200 alvos, incluindo centros de comando e controle, depósitos de munição e fábricas de armas. O Pentágono afirmou que a mobilização de 50 mil militares inclui tropas terrestres, navais e aéreas, com destaque para o envio de dois porta-aviões e esquadrões de caças F-35 e F-16 para bases no Golfo Pérsico.

Impactos regionais e globais

A escalada militar já provocou reações em cadeia no Oriente Médio. O Irã respondeu com o lançamento de mísseis balísticos contra alvos israelenses e norte-americanos na região, incluindo uma base dos EUA no Kuwait, que foi interceptada por sistemas de defesa Patriot. O governo iraniano, por meio de sua missão na ONU, classificou os ataques como “atos de guerra” e prometeu retaliação “em escala e tempo apropriados”. Enquanto isso, aliados regionais como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos pediram moderação, mas reforçaram a segurança de suas instalações petrolíferas, temendo interrupções no fornecimento global de petróleo.

O mercado de petróleo reagiu imediatamente: o barril do tipo Brent subiu 4,2% nesta quinta-feira, atingindo US$ 89,30, o maior patamar desde outubro de 2023. Analistas do Goldman Sachs alertam que, se a crise se prolongar por mais duas semanas, o preço pode ultrapassar US$ 100, impactando economias emergentes e aumentando a inflação global. A Agência Internacional de Energia (AIE) convocou uma reunião de emergência para discutir a liberação de reservas estratégicas de petróleo, enquanto a OPEP+ sinalizou que pode aumentar a produção em 500 mil barris por dia para estabilizar o mercado.

Panorama político e diplomático

A ofensiva dos EUA ocorre em um contexto de tensões crescentes entre Washington e Teerã, que se intensificaram após o ataque a uma base militar dos EUA na Jordânia, em janeiro, que matou três soldados norte-americanos. O governo do presidente Joe Biden enfrenta pressão de setores do Congresso para uma ação mais dura contra o Irã, enquanto aliados europeus, como França e Alemanha, pedem uma saída diplomática. O Conselho de Segurança da ONU realizou uma sessão de emergência, mas não conseguiu aprovar uma resolução devido ao veto da Rússia e da China, que criticaram a escalada unilateral dos EUA.

No cenário interno norte-americano, a operação militar reacendeu o debate sobre o envolvimento dos EUA em conflitos no Oriente Médio, especialmente em ano eleitoral. Pesquisas de opinião mostram que 52% dos americanos apoiam os ataques contra o Irã, mas 45% temem que o país seja arrastado para uma guerra prolongada. O Pentágono, no entanto, insiste que a operação é “limitada e proporcional”, com o objetivo de “desmantelar a capacidade iraniana de atacar forças dos EUA e aliados”.

A sétima noite de ataques também teve repercussões no Brasil, que condenou a violência e pediu o fim das hostilidades. O Itamaraty emitiu nota oficial expressando “grave preocupação” com a escalada e convocou os embaixadores dos EUA e do Irã para reuniões separadas. O governo brasileiro, que preside o G20 em 2024, tenta articular uma mediação internacional, mas enfrenta resistência de ambas as partes. Enquanto isso, a Petrobras anunciou que monitora os impactos no mercado de petróleo e que pode reajustar os preços dos combustíveis no país, caso a crise persista.

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