Um crime de feminicídio chocou a cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, na segunda-feira (13), quando Severino Alves Pereira, pedreiro de 56 anos, assassinou a ex-companheira Paula Santos da Silva, de 37, a facadas. Em depoimento à Polícia Civil, o agressor afirmou que sonhava se casar com a vítima, mas que recentemente havia sido bloqueado do celular dela e não conseguia mais contato. A motivação, segundo ele, foi o ciúme ao descobrir uma conversa entre Paula e o ex-namorado. O caso, registrado por câmeras de monitoramento, expõe mais uma tragédia no contexto da violência doméstica no estado.
Segundo o depoimento de Severino, ele foi até o local de trabalho de Paula para conversar, mas ‘perdeu a cabeça’ e a esfaqueou ‘de raiva’. A vítima conseguiu percorrer alguns metros antes de cair em frente ao edifício onde morava, na Rua Frei Gaspar, no Centro da cidade. Imagens de monitoramento registraram a mulher caminhando com dificuldade e pedindo socorro, enquanto o agressor fugia do local.
Família desconhecia relacionamento
A irmã da vítima, Beatriz Santos Freitas, de 29 anos, contou ao g1 que conheceu o homem na delegacia, quando ele a chamou para conversar. ‘Falou que era noivo dela, que o casamento já estava marcado, que comprou um apartamento para ela. A gente ficou sem entender nada porque a gente nunca tinha visto ele, não conhecia ele, ela nunca tinha falado dele para a gente’, lembrou. Beatriz destacou que só tinha conhecimento de que Severino prestava serviços de manutenção para Paula. Ela ressaltou que a irmã nunca comentou ter tido nenhum tipo de relacionamento com o pedreiro e sim que estava apaixonada por um policial que conheceu na capital paulista. ‘Esse policial era quem ela amava mesmo, isso eu tenho certeza. Esse cara que brotou do nada é que eu não sei. Não sei se ele mentiu, não sei se ele achou que tinha alguma coisa com ela e ela deu esperança’, afirmou a irmã de Paula.
Dinâmica do crime e prisão
Após o ataque contra Paula, Severino retornou ao condomínio para ver a filha da vítima, de 9 anos, e chegou a acompanhar a criança até a delegacia. Na ocasião, ele ainda não havia sido reconhecido como autor do crime e se identificou aos policiais e às testemunhas como companheiro da mulher. Foi reconhecido pelas câmeras de monitoramento e, ao ser questionado pela polícia, confessou e detalhou a dinâmica do crime. O caso foi registrado como feminicídio e segue sob investigação da Polícia Civil de São Vicente.
O panorama da violência contra a mulher no estado de São Paulo continua alarmante, com casos como este evidenciando a necessidade de políticas públicas eficazes de prevenção e proteção às vítimas. A falta de conhecimento da família sobre o relacionamento e a escalada de ciúmes que culminou no assassinato reforçam a importância de campanhas de conscientização e canais de denúncia, como o Ligue 180.
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