Trabalhadores da CASAL intensificam mobilização com paralisação em Maceió e interior de Alagoas

Os trabalhadores da Companhia de Saneamento de Alagoas (CASAL) mantêm o estado de greve e anunciaram uma nova paralisação para a próxima quarta-feira (22), com mobilizações programadas em Maceió e em cidades do interior do estado. A decisão foi tomada em assembleia realizada na última sexta-feira (17), após a categoria rejeitar a proposta apresentada pela direção da empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) de 2025. A paralisação, que ocorrerá das 8h às 12h, incluirá atos em frente à sede da CASAL, na capital, e em unidades regionais, como em Arapiraca e Rio Largo, conforme informou o Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento de Alagoas (Sindas).

A mobilização ocorre em um contexto de tensão política e econômica no estado, onde a CASAL enfrenta uma crise financeira crônica, com dívidas acumuladas e questionamentos sobre sua eficiência operacional. A categoria critica a possível privatização da companhia, defendida por setores do governo estadual e do legislativo, como solução para os problemas de abastecimento e saneamento. Em nota, o Sindas afirmou que a paralisação é uma resposta à falta de avanço nas negociações do ACT, que inclui reivindicações como reajuste salarial, manutenção de benefícios e garantias contra demissões. A direção da CASAL, por sua vez, alega dificuldades orçamentárias e propôs um reajuste de 3,5%, abaixo da inflação acumulada de 4,8% no período, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Panorama político e econômico

A paralisação dos trabalhadores da CASAL insere-se em um cenário mais amplo de disputas sobre o modelo de gestão do saneamento básico em Alagoas. O governo estadual, sob pressão de investidores e do governo federal para cumprir metas do Novo Marco Legal do Saneamento, tem sinalizado a abertura de capital da companhia ou a concessão de serviços à iniciativa privada. Em fevereiro de 2025, a Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE) aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei que autoriza a venda de até 49% das ações da CASAL, o que gerou protestos de sindicatos e movimentos sociais. A categoria argumenta que a privatização pode elevar tarifas, precarizar o serviço e resultar em demissões em massa, afetando diretamente a população de baixa renda, que já sofre com a intermitência no abastecimento em bairros periféricos de Maceió e no interior.

Além disso, a paralisação ganha força em um momento em que a CASAL enfrenta uma crise hídrica agravada pela seca prolongada no semiárido alagoano, que reduziu a vazão de mananciais como o rio São Francisco, principal fonte de abastecimento do estado. Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) indicam que, em 2024, cerca de 30% da água tratada pela CASAL foi perdida em vazamentos e ligações clandestinas, o que agrava a situação financeira da empresa e alimenta o discurso de ineficiência. A paralisação de quarta-feira, portanto, não é apenas uma disputa trabalhista, mas um reflexo das tensões estruturais que envolvem o futuro do saneamento em Alagoas, com impactos diretos na saúde pública, no meio ambiente e na economia local.

A mobilização dos trabalhadores da CASAL também ecoa movimentos semelhantes em outros estados, como na Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e na Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), onde categorias têm resistido a processos de privatização. Em Alagoas, a paralisação conta com o apoio de entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que veem na luta dos saneadores uma defesa do direito à água como bem público. A expectativa é que a paralisação de quarta-feira sirva como um termômetro para a disposição da categoria em radicalizar o movimento, caso a direção da CASAL e o governo estadual não apresentem uma contraproposta que atenda às reivindicações do ACT.

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