Justiça da Bahia decreta prisão de argentino por crime de racismo contra homem negro

A Justiça da Bahia decretou, nesta semana, a prisão preventiva de um cidadão argentino acusado de praticar crime de racismo contra um homem negro em Salvador. O caso ocorreu em via pública, quando o suspeito, identificado como Juan Pablo, imitou gestos e sons de macaco direcionados à vítima, Carlos Alberto. A decisão judicial foi tomada pela 1ª Vara de Crimes Raciais e Intolerância Religiosa da capital baiana, que considerou a gravidade da conduta e o risco de fuga do acusado, que reside temporariamente no Brasil.

De acordo com a denúncia do Ministério Público da Bahia (MP-BA), o crime ocorreu no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, no último dia 15 de março. A vítima, um homem negro de 34 anos, caminhava pela rua quando foi abordada pelo argentino, que começou a fazer gestos e sons imitando um macaco. Testemunhas que estavam no local registraram a cena em vídeo, que posteriormente viralizou nas redes sociais, gerando forte comoção e indignação em todo o país.

A prisão preventiva foi decretada com base na Lei 7.716/1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor, e no artigo 140 do Código Penal, que trata de injúria racial. A legislação brasileira considera o racismo crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena de reclusão de um a três anos, além de multa. O juiz responsável pelo caso, Marcos Vinícius, destacou em sua decisão que a conduta do acusado “ultrapassa os limites da liberdade de expressão e configura ato de extrema gravidade, atentatório à dignidade humana e à ordem pública”.

Repercussão e panorama político

O caso ganhou ampla repercussão nacional e internacional, reacendendo o debate sobre o racismo estrutural no Brasil e a necessidade de punições exemplares para crimes de ódio. A vítima, Carlos Alberto, prestou depoimento à polícia e afirmou que o episódio foi “humilhante e traumático”. Ele é representado pelo advogado Felipe Santos, que classificou a decisão judicial como “um passo importante na luta contra o racismo”.

O governo da Bahia, por meio da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, manifestou solidariedade à vítima e reforçou o compromisso com o combate ao racismo. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que as investigações estão em andamento e que o acusado, que estava em liberdade provisória, foi localizado e detido em um hotel no centro de Salvador. A defesa de Juan Pablo ainda não se pronunciou oficialmente, mas fontes próximas indicam que pretende recorrer da decisão.

O episódio ocorre em um contexto de aumento de denúncias de racismo no Brasil. Dados do Disque 100, canal do governo federal para denúncias de violações de direitos humanos, apontam que as queixas de injúria racial cresceram 30% em 2023 em comparação com o ano anterior. Organizações de direitos humanos, como a Educafro e o Instituto de Defesa da População Negra, têm pressionado por políticas públicas mais efetivas e por uma atuação mais rigorosa do Judiciário.

A prisão do argentino também levanta questões sobre a responsabilidade de estrangeiros que cometem crimes no Brasil. Especialistas em direito penal apontam que, embora o acusado seja cidadão argentino, ele está sujeito à legislação brasileira, que prevê a expulsão do país após o cumprimento da pena, caso seja condenado. O caso segue em segredo de justiça, e a próxima audiência está prevista para o mês de maio.

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