As polícias de São Paulo e do Rio de Janeiro encontraram, nesta sexta-feira (17), o corpo de Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, que estava desaparecida desde o fim de junho. O corpo foi localizado às margens de uma estrada em Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, após análises de imagens de radares de trânsito. A principal suspeita do crime é a patroa da vítima, Eliane Alves dos Santos, dona do restaurante onde Berenice trabalhava, em Ubatuba, no litoral de São Paulo. A motivação, segundo a polícia, seria uma desavença sobre o pagamento da rescisão trabalhista.
Foram 17 dias de buscas por Berenice, que morava em uma edícula do restaurante onde trabalhava. A dona do estabelecimento, Eliane Alves dos Santos, contou à polícia que a cozinheira havia conseguido outro emprego e afirmou que deu carona a Berenice até um bairro de Ubatuba, no dia 30 de junho. No entanto, as investigações indicam contradições nessa versão.
De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, imagens mostram a caminhonete de Eliane passando por uma estrada na tarde do desaparecimento. Mas, segundo a investigação, outras duas fotos que também fazem parte do inquérito registram o carro indo em direção ao Rio de Janeiro e o retorno do veículo, na mesma noite. As evidências levaram a Justiça a determinar a prisão temporária de Eliane, que está presa desde o dia 10 de julho.
Na caminhonete da empresária, os policiais constataram a “existência de dano recém recuperado proveniente de disparo de arma de fogo”. Também foram encontrados vestígios de sangue, que ainda passarão por perícia para confirmar se pertencem a Berenice. O corpo da vítima foi levado para o Instituto Médico Legal de Angra dos Reis e, segundo a polícia, foi reconhecido por um filho, mas exames complementares serão realizados para determinar as circunstâncias da morte.
Investigação aponta possível participação de outras pessoas
O delegado Tadeu Ricardo de Castro explicou que as análises de imagens de radares de trânsito foram fundamentais para localizar o corpo. “Os radares é que vão dando para a gente onde passou e onde não passou. E chegamos àquele ponto e aí iniciamos as buscas há uns quatro dias atrás naquele local”, afirmou. O local onde o corpo foi encontrado é de difícil acesso, o que levanta suspeitas de que outras pessoas possam ter ajudado no crime. “Provavelmente alguém ajudou. Então a gente primeiro trabalha com pelo menos uma pessoa envolvida”, acrescentou o delegado.
A defesa de Eliane Alves dos Santos não se pronunciou desde a localização do corpo de Berenice. O caso, que mobilizou as polícias de dois estados, ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre as condições de trabalho e a vulnerabilidade de trabalhadores domésticos e informais. A investigação segue em andamento para esclarecer todos os detalhes do crime e identificar possíveis cúmplices.
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