A filha de uma mulher morta após ser atacada pelo ex-companheiro denunciou suposta negligência médica no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió, e pediu investigação formal das circunstâncias que levaram ao óbito. Amanda Oliveira afirmou que a mãe ficou dias sem vaga na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e sem receber antibióticos, o que, segundo ela, agravou o quadro clínico da vítima. O caso foi registrado na delegacia e aguarda posicionamento oficial do HGE e da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), que ainda não se manifestaram sobre as acusações.
A denúncia de Amanda Oliveira ocorre em meio a um contexto de crescentes casos de violência doméstica em Alagoas, que têm sobrecarregado o sistema de saúde pública. A vítima, cujo nome não foi divulgado pela família, havia sido internada após sofrer graves ferimentos durante o ataque do ex-companheiro, que já possuía histórico de agressões. A filha alega que, mesmo com a gravidade do estado de saúde, a mãe não foi priorizada para internação na UTI, permanecendo em leito de enfermaria por dias, sem acesso a medicamentos essenciais como antibióticos, o que teria contribuído para o agravamento de infecções e, posteriormente, para a morte.
Panorama da violência doméstica e falhas no atendimento
O caso reacende o debate sobre a eficácia do atendimento a vítimas de violência doméstica em Alagoas, estado que registrou, em 2025, um aumento de 12% nos feminicídios em comparação ao ano anterior, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública. A situação se agrava quando há demora no acesso a cuidados intensivos, como apontado por Amanda Oliveira. Em nota, a família pede que a Corregedoria do HGE e o Ministério Público Estadual investiguem se houve omissão ou erro médico. Enquanto isso, o ex-companheiro da vítima, que já estava foragido, segue sendo procurado pela polícia.
A denúncia de Amanda Oliveira também levanta questionamentos sobre a gestão de leitos de UTI no HGE, que frequentemente opera com superlotação. Em 2024, uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado apontou que o hospital tinha uma taxa de ocupação de UTI acima de 95% em média, com filas de espera que chegavam a 72 horas. A falta de antibióticos, por sua vez, foi registrada em relatórios internos da Sesau como um problema recorrente, atribuído a atrasos em licitações e à burocracia na compra de medicamentos. A Secretaria, no entanto, não confirmou se houve desabastecimento no período em que a vítima estava internada.
Repercussão e próximos passos
A filha da vítima protocolou um pedido formal de investigação na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e também na Ouvidoria do HGE. Até o momento, nem o hospital nem a Sesau emitiram comunicado oficial sobre o caso. A reportagem tentou contato com a assessoria de imprensa do HGE, mas não obteve retorno. A situação expõe a fragilidade do sistema de saúde em lidar com vítimas de violência doméstica, que muitas vezes chegam em estado crítico e dependem de respostas rápidas para sobreviver. Enquanto a investigação não avança, Amanda Oliveira clama por justiça e por mudanças que evitem que outras famílias passem pela mesma dor.
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