O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou publicamente o desejo de que a Copa do Mundo retorne ao país norte-americano, em um movimento que reforça a centralidade do futebol na agenda política e econômica dos EUA. Em conversa direta com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, Trump solicitou uma nova edição do torneio na América do Norte, após o sucesso da edição de 2026, que será sediada em conjunto com México e Canadá. A declaração foi feita durante um evento na Casa Branca, segundo informações do portal Alagoas 24 Horas.
O pedido de Trump ocorre em um contexto de crescente interesse dos Estados Unidos pelo futebol, impulsionado pela realização da Copa do Mundo de 2026, que será a primeira com 48 seleções e a primeira a ser sediada por três países. A edição de 2026 já é considerada um marco logístico e comercial, com jogos previstos em 16 cidades norte-americanas, incluindo Nova York, Los Angeles, Dallas e Seattle. O presidente norte-americano destacou que “nunca viu nada parecido” em termos de impacto econômico e audiência, citando dados preliminares que apontam para um incremento de bilhões de dólares na economia local.
Panorama político e esportivo
A solicitação de Trump a Infantino ocorre em meio a tensões geopolíticas no futebol mundial, com a Fifa enfrentando pressões de federações europeias e sul-americanas por maior transparência e equilíbrio na distribuição de vagas. A escolha dos Estados Unidos como sede de uma nova Copa também levanta questões sobre a influência política do país no esporte, especialmente após a saída de Trump da presidência em 2021 e sua possível candidatura em 2024. O movimento é visto por analistas como uma tentativa de consolidar o legado esportivo de sua gestão, que já incluiu a realização da Copa América Centenário em 2016 e a promoção de eventos de futebol feminino.
O pedido de Trump também reflete a estratégia da Fifa de expandir o futebol em mercados emergentes, como os Estados Unidos, onde a Major League Soccer (MLS) tem crescido em popularidade e investimento. A edição de 2026 já gerou expectativas de receitas recordes para a entidade, com contratos de patrocínio e transmissão estimados em mais de US$ 5 bilhões. A possibilidade de uma nova Copa nos EUA, no entanto, depende de negociações com as federações de México e Canadá, que co-sediarão o torneio de 2026, e de um eventual processo de candidatura que pode envolver outros países da Concacaf.
Especialistas em política esportiva alertam que a pressão de Trump sobre Infantino pode criar precedentes para interferências políticas em decisões da Fifa, que historicamente busca manter independência em relação a governos. A entidade, no entanto, já demonstrou abertura para diálogo com líderes mundiais, como na recente escolha da Arábia Saudita como sede da Copa de 2034, em meio a críticas sobre direitos humanos. O pedido de Trump, portanto, insere-se em um cenário de competição global por sedes de grandes eventos, onde fatores econômicos e diplomáticos pesam tanto quanto critérios técnicos.
A declaração de Trump gerou reações mistas entre dirigentes esportivos e políticos nos EUA. Enquanto alguns veem a oportunidade de impulsionar o futebol no país, outros criticam a falta de consulta às federações locais e o timing político, já que o ex-presidente é pré-candidato à Casa Branca em 2024. O presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos (US Soccer), Cindy Parlow Cone, afirmou em nota que “qualquer discussão sobre futuras Copas deve envolver todas as partes interessadas, incluindo jogadores, clubes e torcedores”. A Fifa, por sua vez, não se pronunciou oficialmente sobre o pedido, mas fontes internas indicam que Infantino vê com bons olhos a possibilidade de manter os EUA como palco do futebol mundial.
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