O Irã pediu à agência nuclear da ONU que condene os ataques dos EUA que, segundo o país, tiveram como alvo a usina nuclear de Darkhovin, em construção no sudoeste do país. A ofensiva, ocorrida neste domingo (19) e segunda-feira (20), representa uma escalada significativa no conflito entre as duas nações, com impacto direto sobre o programa nuclear iraniano e a segurança regional no Oriente Médio.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, declarou em coletiva de imprensa em Teerã nesta segunda-feira (20): “O Irã espera que o Conselho de Governadores da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) e o Diretor-Geral da AIEA, que ocasionalmente fazem declarações políticas sobre a questão nuclear iraniana, declarem claramente sua posição sobre o assunto, condenando o crime dos EUA”. A fala reflete a estratégia de Teerã de buscar apoio internacional e isolar diplomaticamente Washington, em meio a tensões que já duram anos.
Além da instalação de Darkhovin, os ataques dos EUA também atingiram vários locais na cidade portuária de Bushehr, no sul do Irã, onde fica a única usina nuclear civil do país, conforme informou a mídia estatal iraniana Irna. A usina de Bushehr, que opera sob supervisão da AIEA, é um ponto sensível: qualquer dano a ela poderia representar risco de contaminação radioativa e agravar a crise humanitária na região. A escolha dos alvos sugere que Washington busca desmantelar a infraestrutura nuclear iraniana, mas também levanta questionamentos sobre a legalidade de ataques a instalações civis.
Contexto da ofensiva americana
Em comunicado divulgado na noite deste domingo (19), o Comando Central dos EUA (Centcom), responsável pelas ofivas no Oriente Médio, informou ter concluído a nona noite consecutiva de ataques contra o Irã. Segundo os militares americanos, os alvos incluíram centros de comando, sistemas de defesa aérea, locais de lançamento de mísseis e drones e redes de comunicação. A operação, de acordo com o Centcom, teve como objetivo reduzir a capacidade iraniana de atacar embarcações comerciais que transitam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo global.
A ação militar ocorre em um contexto de escalada contínua: os EUA já haviam realizado oito noites de ataques anteriores, mirando principalmente infraestrutura militar iraniana. A nona noite, no entanto, marca a primeira vez que uma usina nuclear em construção é atingida, o que pode representar uma mudança na estratégia americana. Analistas apontam que a ofensiva pode estar relacionada a negociações indiretas entre as partes, que buscam um acordo sobre o programa nuclear iraniano, mas que até agora não avançaram.
O governo iraniano, por sua vez, enfrenta pressão interna para responder militarmente, enquanto setores moderados defendem a via diplomática. A comunidade internacional observa com preocupação: a Rússia e a China já criticaram os ataques, enquanto a União Europeia pediu moderação. A AIEA, que monitora as instalações nucleares iranianas, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o pedido de condenação de Teerã.
O impacto imediato dos ataques inclui a paralisação das obras em Darkhovin e possíveis danos à usina de Bushehr, que opera com reatores de água leve sob supervisão internacional. A longo prazo, a ação pode fortalecer a posição de linha-dura no Irã, que defende o desenvolvimento de armas nucleares como dissuasão, e complicar ainda mais as negociações para um novo acordo nuclear. Enquanto isso, o tráfego no Estreito de Ormuz continua, mas sob escolta de navios de guerra americanos e aliados, em um cenário de tensão que não dá sinais de arrefecimento.
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