Trump defende Netanyahu e critica prefeito de NY após ameaça de prisão durante Assembleia da ONU

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (20) que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não será preso enquanto estiver em território americano. A declaração ocorre após o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmar que avalia se tentará prender Netanyahu durante a próxima Assembleia Geral da ONU, prevista para setembro na sede da organização em Nova York.

“Benjamin Netanyahu não será preso, de forma alguma, enquanto estiver nos Estados Unidos da América”, afirmou Trump, em publicação na qual também defendeu o premiê israelense. O republicano disse que Netanyahu luta contra o Irã e que “os únicos que deveriam ser presos são aqueles que conduziram o Irã a esta espiral sem precedentes de morte e destruição, algo que deveria ter sido enfrentado anos atrás pelos presidentes anteriores”.

A declaração de Mamdani foi feita em entrevista ao The New York Times neste sábado (18). “Acho que o primeiro-ministro Netanyahu pertence a Haia. É um criminoso de guerra que foi acusado pelo Tribunal Penal Internacional”, disse o prefeito, referindo-se ao TPI, com sede em Haia. O tribunal afirmou, em 2024, que tinha motivos razoáveis para acreditar que Netanyahu era responsável por crimes de guerra e crimes contra a humanidade relacionados à ofensiva de Israel em Gaza após o ataque de 7 de outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas.

O prefeito admitiu que não tem certeza se possui autoridade para ordenar ao Departamento de Polícia de Nova York que detenha um líder estrangeiro, mas está debatendo o assunto com a equipe jurídica da cidade. “Seja lá o que for que a lei me permita fazer na cidade de Nova York, é isso que faremos”, afirmou Mamdani.

No passado, Mamdani prometeu enviar a polícia de Nova York para cumprir mandados de prisão contra líderes procurados pelo TPI, incluindo Netanyahu e o presidente russo Vladimir Putin. A Assembleia Geral da ONU, grande reunião anual de líderes mundiais, será realizada em setembro na sede da organização em Nova York, o que coloca o prefeito diante de um possível confronto diplomático e jurídico.

Danny Danon, embaixador de Israel junto às Nações Unidas, respondeu rapidamente a Mamdani. “Em vez de se concentrar nas suas responsabilidades como prefeito e enfrentar a crescente onda de antissemitismo na cidade, ele optou por incitar a hostilidade e gerar manchetes atacando o Estado de Israel”, afirmou Danon.

O episódio insere-se em um panorama político mais amplo, marcado por tensões entre a comunidade internacional e Israel devido à ofensiva em Gaza, que já dura mais de dois anos. Enquanto o TPI busca responsabilizar líderes israelenses por supostos crimes de guerra, os EUA, sob Trump, mantêm uma postura de apoio incondicional a Netanyahu, o que gera atritos com setores progressistas e com a própria ONU. A posição de Mamdani, um democrata de origem paquistanesa, reflete a crescente pressão de grupos de direitos humanos e de parte da opinião pública americana por uma postura mais firme contra Israel.

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