Cotada para vice de Flávio Dino, deputada Júlia Zanatta coleta assinaturas para impeachment de Lula após tarifaço

A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) articula, na volta do recesso parlamentar, a coleta de assinaturas para apresentar um pedido de impeachment contra o presidente Lula (PT). A iniciativa, revelada pelo Painel da Folha de S.Paulo nesta terça-feira (21), utiliza o tarifaço como principal justificativa para a abertura do processo. Zanatta, cotada para compor a chapa presidencial de Flávio Dino (PSB) como vice, busca capitalizar politicamente o desgaste gerado pela medida econômica.

O pedido de impeachment, que deve ser protocolado após o recesso, insere-se em um contexto de forte polarização política e econômica. O tarifaço, anunciado recentemente pelo governo federal, elevou alíquotas de importação para diversos setores, gerando críticas de parlamentares da oposição e de parte do empresariado. Para Zanatta, a medida configura crime de responsabilidade fiscal e atenta contra a ordem econômica, justificando o afastamento do chefe do Executivo.

Panorama político e eleitoral

A movimentação de Zanatta ocorre em meio à consolidação das pré-candidaturas para as eleições presidenciais de 2026. Flávio Dino, ex-ministro da Justiça e atual pré-candidato pelo PSB, busca ampliar o arco de alianças e a escolha de uma deputada do PL como vice sinaliza uma tentativa de atrair setores mais conservadores. A deputada, por sua vez, utiliza o impeachment como plataforma para se projetar nacionalmente e reforçar sua base de apoio.

O tarifaço, que elevou tarifas de importação para produtos como aço, alumínio e químicos, tem sido alvo de críticas não apenas da oposição, mas também de setores do agronegócio e da indústria, que temem retaliações comerciais e aumento de custos. A medida, defendida pelo governo como forma de proteger a indústria nacional e gerar empregos, gerou um debate acalorado no Congresso e nas redes sociais.

O pedido de impeachment de Zanatta se soma a outras iniciativas semelhantes que tramitam na Câmara, mas que até agora não avançaram por falta de apoio político. A deputada, no entanto, aposta no descontentamento gerado pelo tarifaço para angariar as assinaturas necessárias e pressionar o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), a dar andamento ao processo. Lira, que já demonstrou resistência a pautas de impeachment, enfrenta pressão de alas mais radicais da oposição.

Enquanto isso, o governo Lula tenta conter os danos políticos do tarifaço, anunciando medidas compensatórias para setores mais afetados e buscando diálogo com parlamentares. A crise, no entanto, expõe as fragilidades da base aliada e abre espaço para novas articulações oposicionistas. O desfecho do pedido de impeachment de Zanatta dependerá da correlação de forças no Congresso e da capacidade do governo de reverter o desgaste econômico.

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