Pai é preso em flagrante por espancar filho de 3 anos após criança urinar e defecar na roupa

Um homem foi preso em flagrante nessa segunda-feira (20), em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, suspeito de agredir violentamente o próprio filho, de apenas três anos. A prisão ocorreu após a mãe da criança denunciar o caso à Polícia Civil ao perceber marcas de violência no menino quando foi buscá-lo na casa do pai. A agressão teria sido motivada pelo fato de a criança ter urinado e defecado na roupa.

De acordo com informações da Polícia Civil, a mãe compareceu à delegacia e relatou que, ao buscar o filho, notou hematomas e sinais de espancamento. Imediatamente, os agentes se deslocaram até o local indicado e efetuaram a prisão do suspeito. A criança foi encaminhada para atendimento médico e passa por exames que devem detalhar a extensão das lesões.

Violência doméstica e falhas na proteção infantil

O caso expõe mais um episódio de violência doméstica contra crianças no estado do Rio de Janeiro, que registra uma média de 15 denúncias por dia de maus-tratos a menores, segundo dados do Disque 100. A agressão por motivos banais, como urinar ou defecar na roupa, é recorrente em lares onde a paciência e o cuidado são substituídos por castigos físicos extremos.

Especialistas em direitos da criança apontam que a falta de políticas públicas efetivas de acompanhamento familiar e a demora na resposta do sistema de justiça contribuem para a perpetuação desses crimes. A prisão em flagrante, embora necessária, não garante a proteção integral da vítima, que muitas vezes retorna ao mesmo ambiente de risco após o agressor ser solto.

Panorama político e social

O caso ocorre em meio a um debate nacional sobre o endurecimento das penas para crimes de violência doméstica contra crianças e adolescentes. Projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional propõem aumento da pena mínima para agressões que resultem em lesão corporal grave, além da criação de um cadastro nacional de agressores. No entanto, a implementação dessas medidas esbarra na falta de estrutura das delegacias especializadas e na baixa capilaridade dos serviços de acolhimento.

Em Nova Iguaçu, a prefeitura mantém o Conselho Tutelar e o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), mas a demanda supera a capacidade de atendimento. A população cobra mais investimentos em educação e saúde mental para prevenir a violência intrafamiliar.

A Polícia Civil informou que o homem permanece preso à disposição da Justiça e que o caso será investigado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. A mãe da criança recebeu orientações sobre os procedimentos legais e foi encaminhada para acompanhamento psicológico.

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