A Polícia Federal concluiu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, por suposto abandono de cargo de escrivão, e encaminhou o caso ao Ministério da Justiça para decisão final, nesta terça-feira (21). A recomendação de demissão coloca em risco o vínculo com uma carreira que oferece remuneração inicial superior a R$ 14 mil e progressão salarial ao longo dos anos de serviço. O ex-deputado estava afastado da função para exercer o mandato na Câmara dos Deputados, mas, com a perda do mandato em dezembro de 2025, deveria retornar às atividades na PF, o que, segundo a investigação administrativa, não ocorreu.
A corregedoria apurou ausências não justificadas por mais de 30 dias consecutivos, situação que pode levar à demissão de um servidor público federal. Além das implicações administrativas para o ex-parlamentar, o caso chama atenção para uma das principais carreiras da Polícia Federal. Segundo a Tabela de Remuneração dos Servidores Federais de 2025, o salário inicial de um escrivão é de R$ 14.164,81. Com a progressão na carreira, a remuneração pode chegar a R$ 21.987,38, de acordo com a classe e o tempo de serviço do servidor.
Atribuições do escrivão da PF
O escrivão é o profissional responsável por registrar, organizar e formalizar grande parte dos procedimentos produzidos durante uma investigação. Entre suas atribuições estão: lavratura de autos, termos, depoimentos e mandados, além do controle de prazos, da organização dos inquéritos e da preparação dos documentos que serão encaminhados à Justiça. Também inclui o acompanhamento de diligências, a gestão de fianças e objetos apreendidos e o apoio a atividades administrativas e operacionais da corporação.
O que aconteceu com Eduardo Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde o início de 2025. Na época, afirmou ter deixado o país por considerar que era alvo de perseguição política. Em dezembro daquele ano, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados decretou a perda de seu mandato por excesso de faltas. Com isso, ele deixou de ter o afastamento que permitia exercer atividade parlamentar sem atuar na Polícia Federal. A PF então determinou seu retorno ao cargo de escrivão. Segundo a corporação, porém, a reapresentação não ocorreu. Diante da ausência, a Corregedoria da Polícia Federal abriu, em janeiro de 2026, um Processo Administrativo Disciplinar para apurar um possível abandono de cargo. Após a conclusão da investigação, a PF recomendou a demissão do ex-deputado e encaminhou o processo ao Ministério da Justiça. Como a corporação é subordinada à pasta, caberá ao ministro Wellington Lima a decisão final.
O caso ocorre em um contexto de debates sobre a responsabilidade de servidores públicos federais e a necessidade de cumprimento de prazos e deveres, especialmente em carreiras de Estado como a Polícia Federal. A situação de Eduardo Bolsonaro também reacende discussões sobre o equilíbrio entre mandatos eletivos e cargos públicos, além de expor as consequências administrativas para quem não retorna ao trabalho após o fim do afastamento legal.
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