Nesta quarta-feira (22), parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos passa a ser taxada em 25%, resultado de uma decisão unilateral do governo americano, que alega supostas práticas desleais do Brasil no comércio internacional. Além disso, o governo brasileiro trabalha com a expectativa de uma nova sobretaxa de 12,5%, com a justificativa de que o Brasil, na visão norte-americana, não impede a importação de produtos vindos de países que adotam o trabalho forçado. No entanto, especialistas ouvidos pela Agência Brasil discordam da avaliação americana e vão além: o Brasil é referência no combate ao trabalho forçado e formas análogas à escravidão.
A taxa de 25% anunciada no último dia 15 é justificada pelo governo de Washington que alega que o país falha em combater o desmatamento, a corrupção e utiliza o Pix para prejudicar empresas americanas, entre outras práticas. O governo brasileiro rejeita as acusações e se dispôs a lançar mão da Lei de Reciprocidade, como forma de resposta à taxação, classificada como “injusta”. Enquanto a cobrança não começa, o governo dá como certa nova tarifa de 12,5%.
O panorama político geral revela um cenário de tensão comercial entre as duas maiores economias das Américas, com impactos diretos sobre setores como agronegócio, indústria e tecnologia. A acusação de trabalho forçado, embora rebatida por especialistas, insere-se em um contexto mais amplo de disputas por padrões trabalhistas e ambientais no comércio global. O Brasil, por sua vez, tem investido em políticas de fiscalização e resgate de trabalhadores em condições análogas à escravidão, o que lhe confere reconhecimento internacional, inclusive por organizações como a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
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