Crise no PL do Ceará: Priscila Costa desiste de disputa ao Senado e será candidata a deputada federal em 2026

A deputada federal Priscila Costa (PL-CE), figura central no racha entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro no Ceará, desistiu da disputa por uma vaga ao Senado nas eleições de 2026 e será lançada como pré-candidata à Câmara dos Deputados, segundo interlocutores. A mudança ocorre após a parlamentar perder apoio dentro do PL para sustentar a candidatura ao Senado, sem respaldo da estrutura partidária no estado e sem o empenho de Michelle Bolsonaro em favor de seu projeto eleitoral.

A decisão de Priscila Costa reflete o desgaste interno no PL cearense, que opôs Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro durante as discussões sobre os rumos do partido no estado. A disputa envolveu a definição das candidaturas ao Senado e a estratégia eleitoral da legenda. Michelle Bolsonaro defendia o nome de Priscila para o Senado, contestando a indicação do deputado estadual Alcides Fernandes (PL). Já o grupo liderado pelo deputado federal André Fernandes (PL), presidente estadual da legenda, passou a apoiar a candidatura de Alcides, pai do parlamentar.

A escolha de Alcides Fernandes para disputar o Senado tornou-se um dos principais motivos de atrito entre Michelle e Flávio Bolsonaro. A divergência se somou às discordâncias sobre a aproximação do PL cearense com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo estadual. Em julho, o PL oficializou a pré-candidatura de Alcides ao Senado em evento com a presença de Flávio Bolsonaro e André Fernandes. Na ocasião, André afirmou que a escolha do pai havia sido feita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Aliada de André Fernandes na eleição para a Prefeitura de Fortaleza em 2024, Priscila Costa não conseguiu viabilizar sua candidatura ao Senado dentro do partido. Com Alcides consolidado como nome do PL para uma das vagas e a outra posição sendo tratada nas negociações da aliança estadual para 2026, ela decidiu mudar seus planos eleitorais e voltar a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

No início deste mês, a então vereadora de Fortaleza assumiu vaga como deputada federal pelo Ceará após a deputada Dayany Bittencourt (União-CE) perder o mandato. Em 9 de julho, o ato que declarou a perda do mandato de Dayany foi publicado pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, cumprindo determinações da Justiça Eleitoral. Priscila Costa, que foi a vereadora mais votada na capital cearense, já havia assumido temporariamente vaga como suplente de deputado, marcando posicionamentos como uma mulher conservadora.

O panorama político geral revela que a crise no PL do Ceará é parte de um racha mais amplo na extrema direita brasileira, envolvendo disputas entre os grupos de Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro. Enquanto Flávio defende alianças com Ciro Gomes no estado, Michelle busca fortalecer candidaturas próprias, como a de Priscila Costa. A saída de Michelle da presidência do PL Mulher, após crise com Flávio, e o apoio de André Fernandes a Ciro Gomes expõem as fissuras no partido, que podem impactar as eleições de 2026 no Ceará e em todo o país.

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