O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) a abertura de um inquérito para investigar repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão de Mendonça atende a um pedido da Polícia Federal, que teve manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República para aprofundar as apurações sobre possíveis irregularidades financeiras no projeto cinematográfico.
O inquérito, agora em curso, busca esclarecer a origem e a destinação dos recursos envolvidos na produção do longa-metragem, que retrata a trajetória política de Bolsonaro. A investigação da PF mira especificamente os repasses feitos por Vorcaro, que já foi alvo de outras investigações por supostos crimes financeiros. A autorização de Mendonça ocorre em meio a um contexto de crescente escrutínio sobre financiamentos de obras biográficas de figuras públicas, especialmente quando envolvem valores elevados e suspeitas de lavagem de dinheiro ou ocultação de patrimônio.
Panorama político e jurídico
A decisão do STF insere-se em um cenário mais amplo de investigações sobre possíveis desvios e financiamentos ilícitos no meio político e cultural. A PF, sob a supervisão do ministro relator, terá agora poderes para quebrar sigilos bancários, telefônicos e telemáticos, além de realizar diligências para rastrear o caminho do dinheiro. A PGR, ao se manifestar favoravelmente, sinalizou que há indícios suficientes para justificar a apuração, sem prejulgar a responsabilidade dos envolvidos.
O caso ganha relevância em um momento em que o ex-presidente Bolsonaro enfrenta múltiplas frentes de investigação, incluindo inquéritos sobre suposta interferência na Polícia Federal, ataques ao sistema eleitoral e suspeitas de corrupção. A produção de “Dark Horse” havia sido anunciada como um projeto independente, mas os repasses de Vorcaro levantaram questionamentos sobre a transparência e a legalidade dos financiamentos. A defesa de Vorcaro e da produção do filme ainda não se manifestou oficialmente sobre a abertura do inquérito.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, a autorização de Mendonça representa um passo importante para esclarecer se houve uso de recursos de origem ilícita na obra, o que poderia configurar crime de lavagem de dinheiro. A investigação também pode impactar o calendário eleitoral, já que Bolsonaro é pré-candidato à Presidência em 2026, embora ainda não tenha confirmado oficialmente sua candidatura. O desenrolar do caso deve ser acompanhado de perto por analistas políticos e pela opinião pública, dada a repercussão do tema.
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