Deepfake como vingança: jovem é indiciado por criar montagens pornográficas de mulher que o ignorou no Paraná

Um jovem de 23 anos foi indiciado pela Polícia Civil do Paraná por usar ferramentas de inteligência artificial (IA) para fazer montagens pornográficas de uma jovem de 21 anos que o ignorou nas redes sociais e publicá-las em um site de conteúdo adulto como se fossem imagens reais da vítima nua. As informações são do delegado Derick Moura Jorge, responsável pela investigação. Segundo ele, as publicações ainda continham o ‘@’ do perfil da jovem nas redes sociais.

Tanto a vítima quanto o investigado são moradores de Ponta Grossa, cidade dos Campos Gerais do Paraná. O g1 e a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, apuraram que o indiciado é Kaua Araujo Contador. Ele responde ao inquérito em liberdade.

Ao g1, o advogado Fernando Machado, que atua na defesa de Kaua, disse que ‘por respeito ao andamento da investigação e à correta apuração dos fatos, não fará outras manifestações neste momento’.

Segundo o delegado Derick, as investigações iniciaram no final de junho, quando a vítima recebeu mensagens de pessoas desconhecidas nas redes sociais informando que supostas fotos íntimas dela tinham sido vazadas em uma plataforma de conteúdo adulto. A prática é conhecida como deepfake, técnica que permite alterar um vídeo ou foto com ajuda de IA. Com ela, por exemplo, o rosto da pessoa que está em cena pode ser trocado pelo de outra, ou aquilo que a pessoa fala pode ser modificado.

‘O suspeito chegou a enviar imagens manipuladas digitalmente e forneceu hiperlinks que direcionavam para um álbum hospedado em um site pornográfico. Na página indicada, constatou-se a existência de simulações explícitas criadas com o uso de inteligência artificial (tecnologia deepfake), em que o rosto da vítima foi acoplado fraudulentamente ao corpo despido de terceiros, acompanhado da marcação do seu nome de usuário real para potencializar o alcance e a identificação’, detalhou o delegado.

Após a Polícia Civil conseguir identificar o responsável pelas publicações, a vítima informou que não o conhecia pessoalmente, mas que ele realizava tentativas unilaterais e frustradas de contato com ela desde 2023 por meio de redes sociais — onde ela chegou a bloqueá-lo devido à insistência. ‘O nexo de causalidade comportamental evidenciou que a criação da montagem fraudulenta ocorreu como uma forma de retaliação e vingança pelo fato de ter sido ignorado’, afirmou o delegado. Em seu interrogatório, o jovem negou a autoria dos fatos e afirmou que acreditava que as suas redes sociais, e-mail e telefone haviam sido clonados. Contudo, ele não conseguiu comprovar a alegação.

O caso expõe o crescimento do uso de deepfake como ferramenta de assédio e vingança, especialmente contra mulheres, e acende alerta sobre a necessidade de regulação mais rígida de plataformas de conteúdo adulto e de inteligência artificial. A Polícia Civil do Paraná segue investigando o caso, que pode servir de precedente para crimes digitais dessa natureza.

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