Crise diplomática: Mauro Vieira classifica falas de Milei como ‘inaceitáveis’ e acusa interferência em assuntos internos do Brasil

O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, classificou como ‘ríspidas, grosseiras e inaceitáveis’ as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, proferidas durante a convenção do Partido Liberal (PL) que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência neste sábado (25). Em entrevista à TV Globo, Vieira afirmou que as falas configuram ‘interferência em assuntos domésticos’ do Brasil, direcionando críticas agressivas ao governo brasileiro, ao povo, às instituições, ao Executivo, ao Legislativo e ao próprio Presidente da República.

O chanceler destacou a gravidade do episódio, mas descartou, neste momento, medidas diplomáticas mais duras, como a retirada da representação brasileira da Argentina. ‘A retirada de embaixadores é um passo de grande gravidade. Dentro desse contexto de preservação, nós não vamos fazer isso agora. Nós precisamos de explicações do governo argentino: por que o presidente da Argentina veio ao território brasileiro fazer esse tipo de manifestação e de declarações ríspidas, grosseiras e inaceitáveis?’, questionou Vieira.

Neste domingo, o governo brasileiro convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para ‘transmitir a repulsa’ do governo brasileiro e cobrar explicações. Simultaneamente, o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, foi chamado para prestar esclarecimentos sobre a relação bilateral. Mauro Vieira enfatizou que o Brasil espera uma justificativa formal do governo argentino para a atuação de Milei em território brasileiro.

O panorama político geral revela uma escalada de tensões entre os dois países, com o discurso de Milei na convenção do PL sendo visto como um apoio explícito a um candidato de oposição no Brasil, o que agrava a crise diplomática. Apesar da gravidade, Vieira reiterou que a prioridade do Itamaraty é manter o diálogo: ‘Todo o episódio é extremamente grave e inaceitável. Mas nós temos que trabalhar pelo entendimento entre as nações, e a diplomacia é feita disso, de conversas’. A situação coloca em xeque as relações bilaterais, especialmente em um contexto de polarização política na América do Sul.

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