O presidente da Argentina, Javier Milei, participou neste sábado (25/7) do evento que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, em São Paulo. Em um discurso de quase meia hora, Milei chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ‘lixo careca’, por ter negado pedido de visita a Jair Bolsonaro. A vinda do líder argentino ocorre em meio à sua baixa popularidade, agravada por um escândalo recente de corrupção em seu governo e pelas dificuldades econômicas em seu país.
Milei, que tenta se posicionar como o líder da direita na América Latina, associou a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma ‘transformação política em curso’ na região. Segundo ele, países da América Latina estão se alinhando à direita e abandonando a esquerda, movimento ao qual o Brasil pode se juntar com a eventual eleição de Flávio. O evento ocorre em um momento em que o partido de Flávio é tido como isolado politicamente, sem uma chapa nem apoios partidários definidos, e a figura de Milei dá musculatura para a base ideológica da campanha do filho mais velho do presidente.
Antes da convenção, Milei cumpriu agenda com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pré-candidato à reeleição. No Palácio dos Bandeirantes, recebeu a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo Estado de São Paulo. Em seguida, seguiu para o Pacaembu, onde ocorreu a convenção do PL. O Itamaraty convocou o embaixador argentino no Brasil para transmitir repulsa sobre as falas do presidente argentino.
Panorama político e análise de especialista
A visita de Milei ao Brasil faz parte de um projeto maior de consolidação da direita na região. No entanto, a atração internacional não deve converter votos, afirma Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especializada em América Latina. ‘Eu não sei se o Milei vai, de fato, gerar mais transferências de votos, mas reforça a identidade ideológica. A presença dele energiza, consolida o núcleo duro do eleitorado de direita, mas, muito mais no sentido de um símbolo de coragem discursiva e de radicalismo econômico. Dificilmente a figura de um presidente estrangeiro poderá converter o eleitor de centro ou aquele mais pragmático, porque as preocupações imediatas orbitam em torno da economia doméstica e dos serviços públicos locais’, diz.
O evento ocorre em um contexto de isolamento político do PL, que não conta com chapa nem apoios partidários definidos para a campanha de Flávio Bolsonaro. A presença de Milei, embora simbólica, reforça a base ideológica, mas não altera o cenário de dificuldades eleitorais. A crise política e econômica na Argentina, com escândalos de corrupção e baixa popularidade do presidente argentino, também pode limitar o impacto positivo de sua visita no eleitorado brasileiro.
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