Porto de Natal se torna o 4º do Brasil a exportar animais vivos e reacende debate sobre bem-estar e economia no RN

A autorização para que o Porto de Natal passe a exportar animais vivos coloca o Rio Grande do Norte na rota desse mercado bilionário e reacende o debate sobre bem-estar animal, impactos econômicos e fiscalização da atividade. Com a habilitação concedida pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o terminal potiguar tornou-se o único do Nordeste e o 4º do país autorizado a realizar embarques marítimos de gado vivo, ao lado dos portos de Vila do Conde (PA), São Sebastião (SP) e Rio Grande (RS). A primeira operação está prevista para ocorrer até o início de setembro e deve enviar 3,3 mil bovinos ao Líbano, conforme divulgado pelo Governo do Estado.

A ONG Mercy For Animals (MFA) critica a iniciativa e defende que a atividade não seja iniciada no Rio Grande do Norte. Para a organização, viagens marítimas que podem durar semanas submetem os animais a condições incompatíveis com o bem-estar. George Sturaro, diretor de Relações Governamentais e Políticas Públicas da ONG, afirma que durante o transporte os animais permanecem em espaços reduzidos, expostos ao calor, estresse térmico e ao contato com fezes e urina, além de inalarem amônia proveniente dos dejetos. Na avaliação da entidade, esses fatores podem provocar problemas respiratórios, lesões e até mortes. A ONG também questiona o aspecto econômico: “Ao exportar animais vivos, o Brasil deixa de agregar valor aqui e transfere esse processamento para outros países”, diz Sturaro. A Mercy For Animals informou que acompanha a implantação da atividade no Porto de Natal e avalia a adoção de medidas jurídicas para tentar impedir o início da operação.

Por outro lado, o Governo do Estado, a Companhia Docas (Codern) e a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) argumentam que a operação seguirá protocolos rígidos e poderá ampliar oportunidades econômicas. O secretário estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca, Guilherme Saldanha, afirmou que o governo acompanhará a operação e defendeu que a atividade atende a normas internacionais de bem-estar animal. A exportação marítima de animais vivos já ocorre em outros portos brasileiros e, segundo dados do setor, cresceu 5,53% em 2025, batendo novo recorde.

O panorama político e econômico no Rio Grande do Norte reflete a tensão entre desenvolvimento e proteção animal. Enquanto entidades de defesa dos animais pressionam por alternativas como o abate local e a exportação de carne processada, setores produtivos veem na atividade uma chance de ampliar mercados e gerar divisas. A decisão final sobre o futuro da operação no Porto de Natal dependerá de fiscalizações, possíveis ações judiciais e do cumprimento dos protocolos estabelecidos pelo Mapa.

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