A mais recente pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (24), aponta que o presidente Lula (PT) mantém vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) entre o eleitorado feminino, um dos principais desafios da pré-campanha à Presidência do filho de Jair Bolsonaro (PL). No cenário de segundo turno simulado, Lula alcança 48% das intenções de voto, contra 43% de Flávio Bolsonaro, diferença de cinco pontos percentuais que se sustenta especialmente pelo apoio das mulheres, grupo no qual o candidato do PL enfrenta resistência histórica.
O levantamento, realizado pelo instituto Datafolha entre os dias 21 e 23 de julho, ouviu 2.556 eleitores em 181 municípios brasileiros, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-01234/2026, revela que a dificuldade de Flávio Bolsonaro com o eleitorado feminino não é novidade: em 2022, quando disputou o cargo de presidente, Jair Bolsonaro também enfrentou rejeição semelhante entre as mulheres, conforme apontou o próprio Datafolha à época. Agora, o filho do ex-presidente repete o padrão, com 46% das mulheres afirmando que não votariam nele de jeito nenhum, contra 38% que rejeitam Lula no mesmo grupo.
Panorama geral e impacto eleitoral
O cenário geral da pesquisa indica que, embora Lula lidere no segundo turno, a disputa segue acirrada, com empate técnico em alguns cenários de primeiro turno. No levantamento estimulado, Lula aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%, diferença dentro da margem de erro. Esse empate técnico persiste desde a pesquisa anterior, de maio, quando ambos estavam em 44% e 42%, respectivamente. A vantagem de Lula no segundo turno, no entanto, é consistente, impulsionada pelo voto feminino e por regiões como o Nordeste, onde o petista tem 55% contra 35% do senador.
Para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, a rejeição entre as mulheres é um ponto crítico. A pesquisa mostra que, entre as eleitoras, Lula tem 50% das intenções de voto no segundo turno, contra 39% de Flávio Bolsonaro. Entre os homens, a vantagem se inverte: Flávio Bolsonaro lidera com 47%, contra 46% de Lula, empate técnico. Essa diferença de gênero reflete um padrão observado em eleições anteriores, mas que agora se torna ainda mais relevante, já que as mulheres representam 52% do eleitorado brasileiro.
O levantamento também aponta que a rejeição geral a ambos os candidatos é alta: 48% dos eleitores afirmam que não votariam em Lula de jeito nenhum, enquanto 46% rejeitam Flávio Bolsonaro. Esse dado, combinado com a crise de endividamento que atinge 67% dos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha anterior, sugere que o cenário eleitoral de 2026 será marcado por polarização e insatisfação econômica. A relação entre o Planalto e o Congresso, descrita como clima de confronto em outra pesquisa Datafolha, também influencia o humor do eleitorado, que busca alternativas além dos dois principais candidatos.
O instituto Datafolha destaca que a pesquisa foi encomendada pela Folha de S.Paulo e que os dados completos, incluindo a evolução das intenções de voto por gênero, idade e região, estão disponíveis no site do jornal. A margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos significa que, em um cenário de empate técnico, a diferença entre os candidatos pode não ser estatisticamente significativa. A pesquisa foi realizada antes do início oficial da campanha eleitoral, que ocorre em 16 de agosto, e serve como termômetro para as estratégias das pré-campanhas.
Para o leitor que acompanha o noticiário político, os dados do Datafolha reforçam a percepção de que a eleição de 2026 será decidida nos detalhes, com a necessidade de os candidatos conquistarem segmentos específicos do eleitorado, como as mulheres, os jovens e os moradores de regiões menos favorecidas. A rejeição recorde a ambos os candidatos, combinada com o empate técnico no primeiro turno, indica que o segundo turno pode ser ainda mais disputado, com possibilidade de virada se um dos candidatos conseguir reduzir a rejeição entre grupos-chave.
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