A Polícia Federal ampliou as investigações sobre corrupção no interior de Alagoas após a prisão de um empresário que portava R$ 270 mil em espécie dentro da Prefeitura de Murici. A operação, batizada de Delivery, é um desdobramento de investigação iniciada em 2025, quando Diogo José Andrade Romão foi detido com a quantia. A PF apura um suposto esquema de propina em contratos que somam mais de R$ 30 milhões.
O empresário preso, cujo nome não foi divulgado pela PF, havia se reunido com o então governador de Alagoas, Renan Filho, antes da prisão. A reunião, ocorrida em 2025, é um dos elementos que levaram a PF a aprofundar as investigações, que agora miram contratos públicos em diversas prefeituras do interior alagoano. A operação Delivery foi deflagrada nesta segunda-feira (26) e cumpre mandados de busca e apreensão em Murici e em outros municípios.
Esquema de propina em contratos milionários
De acordo com a PF, o esquema investigado envolve o pagamento de propina para agentes públicos em troca da obtenção de contratos superfaturados. Os contratos, que ultrapassam R$ 30 milhões, seriam firmados com prefeituras da região, incluindo a de Murici. A prisão de Diogo José Andrade Romão, em 2025, com R$ 270 mil em espécie dentro da Prefeitura de Murici, foi o ponto de partida para a investigação.
A PF suspeita que o dinheiro apreendido fosse parte de um pagamento de propina. A operação Delivery busca agora identificar todos os envolvidos no esquema, incluindo servidores públicos e empresários. A investigação também apura a participação de outros políticos e agentes públicos no esquema.
Panorama político e impacto
A ampliação da investigação ocorre em um momento de tensão política em Alagoas, onde a corrupção em prefeituras do interior tem sido alvo de constantes denúncias. A operação Delivery pode ter impacto nas eleições municipais de 2028, já que muitos dos investigados são pré-candidatos a prefeito ou vereador. A PF não descarta novas fases da operação, que podem incluir a prisão de outros suspeitos.
A investigação também levanta questionamentos sobre a atuação de Renan Filho, que, como governador, teria se reunido com o empresário preso. No entanto, a PF não confirmou se o ex-governador é alvo da investigação. A operação Delivery é mais um capítulo na luta contra a corrupção em Alagoas, que já resultou na prisão de dezenas de políticos e empresários nos últimos anos.
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