Lula rejeita confronto com EUA e China e defende investimento em ciência para competir globalmente

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (28) que “não é louco” e que não pretende entrar em confronto com Estados Unidos e China, durante discurso na 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Rio de Janeiro. A declaração ocorre em meio a um cenário de disputa geopolítica e tecnológica entre as duas maiores economias do mundo, com o Brasil buscando se posicionar como protagonista em áreas como inteligência artificial e mineração de terras raras.

“Você acha que eu quero brigar com a China? Eu não sou louco. Você acha que eu quero brigar com os Estados Unidos? Eu não sou louco. Eu não tenho nem os aviões que eles têm, nem os tanques que eles têm, nem as bombas que eles têm, nem o dinheiro que eles têm, nem o conhecimento científico tecnológico que eles têm. Ao invés de ficar brigando com ele, eu quero derrotá-los. Estudando mais do que eles, investindo mais do que eles, pesquisando mais do que eles”, declarou o presidente, segundo o G1.

A fala de Lula reflete uma estratégia de desenvolvimento baseada em inovação e soberania científica, em vez de confronto direto. O presidente destacou que, sem investimento em pesquisa, o Brasil não conseguirá “chegar na inteligência artificial” — área dominada atualmente por EUA e China. “A gente vai deixar que a briga fique entre Estados Unidos e China ou a gente vai entrar no meio e dizer nós existimos?”, questionou, defendendo que o país desenvolva uma inteligência artificial que atenda “os anseios da humanidade, a partir do nosso país”.

O debate sobre terras raras e minerais críticos ganhou destaque na fala do presidente. Esses insumos são fundamentais para a transição energética global e para a fabricação de tecnologias avançadas, como veículos elétricos, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e equipamentos de defesa. A discussão sobre soberania mineral tem se intensificado na agenda geopolítica internacional, diante da disputa comercial e tecnológica entre Pequim e Washington.

Panorama político e científico

Lula também defendeu a formulação de um plano nacional de investimentos em ciência, orientando os jovens a fazerem cursos em áreas consideradas estratégicas para o país competir com nações mais avançadas. “Precisamos saber que o mundo está em uma caminhada maluca nesse mundo digital. Vocês vão ver o que vai acontecer nessa campanha. Vocês vão ver mais inteligência artificial na televisão do que candidato. E nós vamos ficar chorando, lamentando? Eu não quero chorar. Eu quero preparar este país”, afirmou.

No início do ano, Lula defendeu as restrições impostas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao uso de inteligência artificial nas eleições deste ano, e disse que não aceitará o uso desse tipo de ferramenta em sua campanha política. A medida, no entanto, tem sido adotada por outros candidatos à Presidência, como registrado no último sábado (25).

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