A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (29), uma operação contra um grupo suspeito de fraudes milionárias contra empresas, com crimes identificados também em Goiás, Santa Catarina e Minas Gerais. A investigação teve início após uma empresa do DF comunicar a retirada fraudulenta de quatro máquinas agrícolas: dois tratores avaliados em R$ 70 mil cada, um trator de R$ 120 mil e uma mini escavadeira de R$ 250 mil, totalizando prejuízo de R$ 510 mil. Uma segunda empresa também foi induzida a entregar um trator avaliado em R$ 264 mil, elevando o prejuízo apenas no DF para mais de R$ 770 mil.
Os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva em Ituiutaba, em Minas Gerais. Durante a ação, foram apreendidos arma de fogo, dispositivos eletrônicos, documentos e dinheiro em espécie. A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 1 milhão em ativos financeiros vinculados aos investigados.
Como eram feitas as fraudes
De acordo com as investigações da 8ª Delegacia de Polícia (DP), na Estrutural, no DF, os autores entravam em contato com empresas por aplicativos de mensagens, apresentavam-se falsamente como representantes de pessoas jurídicas conhecidas e encaminhavam contratos, pedidos de compra, procurações, documentos de identificação e assinaturas adulteradas. O grupo também criou um site parecido com o utilizado por uma empresa verdadeira, fazendo-se passar por seus representantes. Os bens eram liberados para pagamento a prazo, mas não eram levados ao destino informado durante as negociações.
Outros casos identificados no DF incluem tentativa de aquisição de 1,2 mil unidades de embalagens industriais, no valor de aproximadamente R$ 88 mil, mediante utilização indevida da identidade de terceiro, além de negociações fraudulentas envolvendo máquinas industriais e outros produtos de alto valor econômico.
Envolvidos no esquema
Segundo os investigadores, o esquema era coordenado por um homem de 45 anos, conhecido como “Portuga”. Também foi identificado um familiar dele, de 19 anos, que cedeu sua identidade e outros elementos para ocultar a verdadeira autoria das fraudes. Um terceiro integrante, de 38 anos, é apontado pela Polícia Civil como responsável pela produção dos documentos falsificados utilizados nos golpes. A polícia também identificou outro integrante da associação, pertencente à família do principal investigado, cujos dados pessoais também foram usados durante os crimes. O grupo ainda utilizava identidades de terceiros para dificultar a identificação dos verdadeiros autores.
O panorama político e criminal no Distrito Federal e nos estados vizinhos tem sido marcado por operações frequentes contra fraudes empresariais, especialmente aquelas que envolvem o uso de tecnologia para clonagem de sites e documentos. Casos como o da Operação Portorium, em Alagoas, e esquemas de fraude fiscal no interior de São Paulo e Mato Grosso mostram a capilaridade dessas organizações. A PCDF reforça a importância de empresas verificarem a autenticidade de representantes e contratos antes de liberar produtos de alto valor.
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