A defesa do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marco Buzzi, afastado do cargo desde fevereiro sob suspeita de assédio e importunação sexual contra duas mulheres, protocolou pedido de adiamento do julgamento na Corte, originalmente agendado para a próxima quinta-feira (6 de agosto). O plenário do STJ deve analisar um processo administrativo disciplinar (PAD) que pode resultar no afastamento definitivo de Buzzi. A sessão será fechada ao público e ocorrerá de forma presencial no plenário do STJ.
Os advogados de Marco Buzzi argumentam que não tiveram tempo suficiente para despachar com todos os ministros que participarão do julgamento. Segundo a defesa, a concentração do retorno dos ministros no dia 3 de agosto, após o término do recesso de julho, somada à natural sobrecarga de compromissos que caracteriza o reinício das atividades, torna materialmente impossível à defesa agendar e realizar, em tempo hábil e com a serenidade que a matéria exige, os despachos com a totalidade dos integrantes do colegiado antes da sessão de 6 de agosto. O pedido foi endereçado ao presidente do STJ, ministro Herman Benjamin.
Acusações contra o ministro
Pesam contra Marco Buzzi as acusações de duas mulheres: uma jovem de 18 anos que afirma ter sido vítima de importunação sexual durante um banho de mar, em janeiro de 2026, quando passava férias com a família na casa de Buzzi em Balneário Camboriú (SC); e uma ex-funcionária de gabinete que relatou sete episódios de assédio sexual e importunação cometidos enquanto ela trabalhava no gabinete do magistrado no STJ, entre 2023 e 2025. Em paralelo ao processo administrativo no STJ, Buzzi é alvo de dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal (STF): um sob suspeita de importunação sexual, por causa desses mesmos fatos, e outro sob suspeita de envolvimento em um esquema de venda de sentenças.
O que diz a defesa
Em entrevista ao g1 publicada nesta terça (28), a advogada de Buzzi, Maria Fernanda Saad Ávila, contestou as acusações e afirmou que há contradições nos depoimentos das testemunhas de acusação. Uma das principais alegações da defesa é que Buzzi não ficou sozinho em seu gabinete com a ex-funcionária que o acusa. Sobre o episódio que teria ocorrido no litoral de Santa Catarina, a defesa afirmou que o ministro tem dificuldades de locomoção e precisou do auxílio da jovem para sair do mar.
Panorama político e jurídico
O caso de Marco Buzzi insere-se em um contexto de crescente escrutínio sobre a conduta de magistrados no Brasil. O STJ, como segunda instância da Justiça Federal, tem enfrentado pressão para garantir transparência e responsabilização em casos de assédio e corrupção. A decisão sobre o adiamento do julgamento caberá ao presidente da Corte, Herman Benjamin, e pode impactar o cronograma de análise do PAD, que já se arrasta desde o afastamento do ministro em fevereiro. A sociedade acompanha com atenção o desfecho, que pode estabelecer precedentes sobre a responsabilização disciplinar de magistrados.
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