Bebê morre após nascer na recepção de hospital em Maceió; família denuncia negligência

Um bebê morreu após nascer na recepção do Hospital da Cidade, em Maceió, na segunda-feira (3). A gestante, Morgana Lopes dos Santos, de 21 anos, aguardava atendimento quando entrou em trabalho de parto e a criança caiu no chão, segundo relato da família, que denuncia negligência da unidade de saúde.

De acordo com a mãe de Morgana, a enfermeira Janete Lopes da Silva, de 40 anos, a filha deu entrada na maternidade por volta das 16h05, já sentindo contrações, e esperou cerca de uma hora. Janete contou em entrevista ao g1 que a filha estava em pé porque não conseguia se sentar devido às dores. Quando Morgana sentou em uma cadeira para ter a pressão arterial aferida por uma técnica de enfermagem, a bolsa rompeu.

“Quando a técnica estava aferindo a pressão, a bolsa estourou. Porém, ela não fez nada, terminou de aferir e saiu. Foi quando minha filha gritou: ‘Está nascendo’. O bebê caiu no chão”, relatou Janete. Segundo a família, funcionários da unidade se aproximaram apenas após o pai de Morgana começar a gravar a situação e pedir ajuda. A criança foi levada para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.

Reação da família e pedido de providências

“O hospital cometeu uma grande negligência. Pretendemos processar. É uma situação muito difícil, principalmente para ela”, disse Janete. Em vídeo gravado dentro do hospital, o pai da gestante também afirmou que a filha aguardou cerca de uma hora por atendimento. “Minha filha está há uma hora aqui. O menino nasceu, caiu no chão do hospital e ninguém resolveu nada. A criança foi muito mal para a UTI. Isso é muita injustiça. É um absurdo o bebê nascer aqui, cair no chão e ninguém fazer nada, com a menina sofrendo de dor”, afirmou.

A família informou que Morgana estava entrando no sétimo mês de gestação. Em nota, no entanto, o Hospital da Cidade declarou que a paciente estava grávida de seis meses.

Posicionamento do hospital

Segundo o hospital, a mulher foi acolhida e passou por triagem e avaliação médica. Ainda de acordo com a unidade, ela entrou rapidamente em trabalho de parto durante a triagem. O hospital afirmou que a maternidade contava com equipe completa de plantão para a assistência obstétrica. A unidade não informou as circunstâncias da morte do bebê nem respondeu especificamente à denúncia de que a criança caiu no chão. O hospital declarou que abriu um procedimento interno para apurar o caso.

A mãe permanece internada e recebe acompanhamento de uma equipe multiprofissional. A família também está sendo atendida pelo Serviço Social e por profissionais de psicologia. Em nota, o Hospital da Cidade lamentou a morte da criança e manifestou solidariedade aos familiares.

O caso expõe fragilidades no atendimento obstétrico em Maceió e reacende o debate sobre a superlotação e a qualidade do serviço público de saúde na capital alagoana. A denúncia de negligência, somada à demora no atendimento, levanta questionamentos sobre a estrutura das maternidades e a capacitação das equipes para lidar com emergências. A família já sinalizou que pretende acionar a Justiça, e a apuração interna do hospital será acompanhada de perto pela sociedade e pelas autoridades de saúde.

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