Coronel do Corpo de Bombeiros vira réu por assédio sexual e ameaças a testemunhas

A 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar denunciou, na terça-feira (4), o coronel do Corpo de Bombeiros Lauro César Botto Maia. Ele é acusado de assédio sexual contra uma subordinada e de ameaçar quatro sargentos da corporação que figuram como testemunhas em uma investigação interna sobre o caso. A denúncia foi aceita pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar na quarta-feira (5), tornando o oficial réu, mas o pedido de prisão preventiva foi negado.

De acordo com a denúncia do Ministério Público (MP), os fatos estão relacionados a uma acusação de assédio sexual oferecida em julho deste ano pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaesp). O coronel é acusado de enviar, entre o fim de 2024 e julho de 2025, mensagens com conteúdo considerado inadequado a uma subordinada, com o objetivo de obter vantagem ou favorecimento sexual. Além disso, ele teria ameaçado os quatro sargentos que seriam testemunhas na investigação interna.

Decisão judicial e pedido de prisão

O juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo aceitou a denúncia, afirmando que “ao examinar a denúncia, pode-se concluir que além do fato criminoso, a inicial descreveu todas e as demais circunstâncias necessárias à apreciação da prática delituosa, e, em especial, o lugar do crime; o tempo do fato e a conduta objetiva em que teria incorrido o denunciado”. O magistrado explicou que a acusação veio acompanhada de suporte probatório mínimo, ou seja, da prova mínima exigida para sua instrução, dando ao julgador condições de proferir um diagnóstico provisório sobre a viabilidade da pretensão punitiva. As questões pertinentes ao mérito da ação serão analisadas oportunamente por ocasião do julgamento, mas há indícios de materialidade e autoria suficientes para autorizar o início da ação penal.

O pedido de prisão preventiva do militar, feito pelo MP, não foi aceito pela Justiça. A decisão do juiz não detalha os motivos da negativa, mas o caso segue em tramitação na Auditoria da Justiça Militar.

Panorama geral

O caso ganha relevância em um contexto nacional de crescente atenção às denúncias de assédio sexual em instituições públicas e privadas. Dados recentes apontam que quase 50% das mulheres maiores de 16 anos sofreram assédio em 2025, conforme noticiado pela Agência Brasil. Além disso, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) abriu processo e manteve o afastamento de um ministro acusado de assédio, evidenciando que o tema tem sido tratado com rigor em diferentes esferas do poder. A aceitação da denúncia contra o coronel reforça a tendência de responsabilização de agentes públicos em casos de violência e assédio, mesmo dentro de corporações militares, historicamente marcadas por hierarquia e disciplina rígidas.

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