Em seu último ano como diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus aproveitou o palco internacional para acender um alerta: guerras e fome estão minando os esforços globais no combate ao Ebola e outras emergências sanitárias. A declaração, feita em meio a um cenário de crises sobrepostas, reforça o diagnóstico de que a saúde pública não pode ser dissociada da estabilidade política e social.
Para Tedros, os conflitos armados não apenas destroem infraestruturas de saúde, mas também criam condições perfeitas para a propagação de doenças, enquanto a fome enfraquece populações inteiras, tornando-as mais vulneráveis a epidemias. A fala chega em um momento em que a OMS enfrenta desafios crescentes, com orçamentos limitados e uma agenda global cada vez mais fragmentada por disputas geopolíticas.
O alerta do chefe da OMS ecoa diretamente em regiões como a África Central, onde surtos de Ebola historicamente exploram brechas deixadas por instabilidade e pobreza. Tedros, que encerra seu mandato com um balanço misto, deixa claro que a comunidade internacional precisa agir de forma coordenada, sob pena de ver retrocessos em décadas de avanços na saúde coletiva.
Nos bastidores, a expectativa é que o tema ganhe força nas próximas assembleias da OMS, com pressão para que países endossem compromissos mais rígidos de financiamento e cooperação. Para os analistas, o recado de Tedros é um lembrete incômodo: enquanto houver guerra e fome, a luta contra epidemias como o Ebola será sempre uma batalha perdida pela metade.
Fonte: ver noticia original
