A definição do candidato a vice-governador na chapa encabeçada por João Henrique Caldas (JHC) em Alagoas transformou-se em um impasse político de três frentes, envolvendo a ex-prefeita de Arapiraca Célia Rocha, o ex-governador Ronaldo Lessa e o diretório estadual do PL. A disputa, que já era aguardada para as eleições de 2026, ganhou novos contornos após declarações públicas e movimentações internas que revelam divergências sobre quem ocupará o posto na majoritária.
Célia Rocha, que chegou a ser cogitada para compor a chapa como segunda suplente na candidatura de Arthur Lira ao Senado, rejeitou publicamente a possibilidade. Em declaração recente, a ex-prefeita afirmou que não aceita ser segunda suplente e que só disputará a eleição se for como vice-governadora na chapa de JHC. A posição de Célia, no entanto, esbarra na reivindicação de Ronaldo Lessa, que também se apresentou como candidato ao cargo de vice, e na exigência do PL, que, segundo ata registrada às 23h58, reserva ao partido o poder de indicar o nome para a vaga.
Panorama político e impacto na aliança
O impasse expõe as tensões internas da base que sustenta a pré-candidatura de JHC ao governo estadual. Enquanto Célia Rocha busca consolidar seu nome com apoio de setores ligados à região de Arapiraca, Ronaldo Lessa, com histórico de governador e trânsito em diferentes esferas, tenta manter sua influência na composição. A ata do PL, por sua vez, indica que a legenda pretende ter a palavra final sobre a indicação, o que pode reconfigurar os acordos previamente costurados.
A situação coloca em xeque a unidade do arco de alianças que sustenta JHC, que precisa equilibrar os interesses de diferentes forças políticas para viabilizar sua candidatura. A indefinição sobre a vice também impacta diretamente a estratégia de palanque, uma vez que o nome escolhido poderá atrair ou afastar segmentos eleitorais importantes, especialmente no agreste e na capital.
Nos bastidores, articuladores avaliam que a solução dependerá de negociações diretas entre os envolvidos e da capacidade de JHC em mediar o conflito sem desgastar a aliança. A ata do PL, registrada em horário simbólico, é vista como uma jogada para assegurar protagonismo da legenda na decisão, mas também pode gerar atrito com os demais partidos da coligação.
Enquanto não há definição, o cenário permanece aberto, e a expectativa é de que novas rodadas de conversa ocorram nas próximas semanas para tentar destravar o impasse. A escolha do vice é considerada estratégica para o projeto de JHC, que busca ampliar sua base de apoio no interior e consolidar uma frente ampla para as eleições de 2026.
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