A Espanha impôs controles de fronteira para todo o tráfego aéreo e marítimo proveniente da Itália, em meio ao agravamento das tensões entre os dois países da União Europeia (UE). As medidas, que começaram a valer à meia-noite deste sábado (08/08) no horário local e durarão um mês, vêm uma semana depois de a Itália ter introduzido restrições semelhantes após a entrada de cerca de 78 mil imigrantes do Marrocos em Ceuta, cidade espanhola localizada no litoral norte da África.
Com a imposição dos controles fronteiriços, pessoas que entram na Espanha provenientes da Itália precisarão passar por checagem de documentos — algo que não acontece normalmente devido à criação da área de livre circulação na Europa, chamada de Espaço de Schengen. A decisão espanhola é uma resposta direta à postura italiana, que na semana passada suspendeu temporariamente o acordo de Schengen para cidadãos de países terceiros que chegam da Espanha, com o objetivo declarado de impedir que migrantes de Ceuta viajassem para a Itália.
Disputa diplomática e ultimatos
Na sexta-feira (07/08), a Espanha exigiu que a Itália revertesse as verificações até domingo. Roma, por sua vez, disse que elas permaneceriam em vigor pelo menos até 15 de agosto — quando, segundo o governo italiano, a Espanha “espera uma nova onda de imigração” em Ceuta. Em resposta à ameaça espanhola, o governo italiano afirmou que não aceitaria “ultimatos” e que não pretendia “em hipótese alguma reconsiderar a decisão de suspender a aplicação do Acordo de Schengen para cidadãos de países terceiros que chegam da Espanha, pelo menos até 15 de agosto e, em qualquer caso, até que os riscos de segurança e terrorismo para a Itália sejam completamente eliminados”.
A crise colocou o líder de esquerda da Espanha, Pedro Sánchez, em conflito com a primeira-ministra conservadora da Itália, Giorgia Meloni — que há muito tempo defende regras de migração mais rígidas para a UE. A Itália não compartilha uma fronteira terrestre com a Espanha, mas seu governo justificou a suspensão do livre trânsito como uma medida de segurança. Madri rejeitou essa posição, classificando os argumentos italianos de “espúrios” e sem fundamento, pois os migrantes que entraram em Ceuta não teriam como acessar a área Schengen.
Panorama político e impacto no bloco
O impasse expõe as profundas divisões na UE sobre migração, com países do sul da Europa, como Espanha e Itália, frequentemente na linha de frente de chegadas irregulares. A crise de Ceuta, que envolveu a entrada de cerca de 78 mil imigrantes, gerou uma tempestade política e foi alimentada pelas redes sociais, como destacou a imprensa internacional. A União Europeia já sinalizou que vai ajudar a Espanha a reforçar o controle nas fronteiras, mas a ação unilateral da Itália e a resposta espanhola colocam em xeque a solidariedade do bloco e a eficácia do Espaço de Schengen, um dos pilares da integração europeia.
Autoridades italianas afirmaram que as verificações nas fronteiras são realizadas com “todo o possível” para garantir o máximo conforto tanto para os cidadãos espanhóis quanto para os de outros países europeus. Enquanto isso, centenas de migrantes foram fotografados em fila em uma praia em Ceuta para receber ajuda humanitária, em imagens que ilustram a gravidade da situação. A medida espanhola, que afeta diretamente viajantes da Itália, deve permanecer em vigor por um mês, mas o prazo pode ser estendido caso a crise persista.
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