Dois anos após a queda do voo 2283 da Voepass, que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024, as famílias das vítimas seguem em luta por justiça e responsabilização. A Polícia Federal concluiu que o acidente não foi um erro isolado, mas resultado do acúmulo de falhas e omissões envolvendo profissionais de diferentes áreas da empresa. Ao todo, 16 funcionários, ex-funcionários e dirigentes foram indiciados criminalmente.
Adriana Ibba, mãe de Liz, de 3 anos, a vítima mais jovem da tragédia, e vice-presidente da associação de familiares, afirma que a passagem do tempo não amenizou a dor. “Parece que foi ontem, porque está tudo ainda tão latente que não parece que se passaram dois anos”, disse ao g1. Ela relembra a filha como sua “melhor amiga” e desabafa: “Ela estaria fazendo 6 anos. Imagina só como ela não estaria? Mais falante do que já era, mais independente, em plena descoberta. A gente sempre se falava: ‘Melhores amigas para sempre, né, mamãe?’. Então, realmente é difícil seguir sem a minha melhor amiga. Mas eu estou aqui firme por ela, e ela é minha força”.
Adriana critica a conduta da empresa e dos indiciados: “Eles sabiam. Eles escolheram fingir fazer manutenção. Olha a gravidade disso. Isso é tão surreal. Parece um filme de terror. Então, realmente, eu espero de todo coração que esse pessoal pague e que vá preso”. Ela reforça que a luta não é apenas pela filha: “Ela não estava sozinha no avião. Eu falo por todos os familiares que estavam ali, porque não são só 62 vidas, é muito mais. Então hoje a luta é essa, e nós vamos adiante até o fim”.
Panorama da investigação e próximos passos
A PF apontou uma cadeia de responsabilidades que envolve desde pilotos até o dono da Voepass, incluindo falhas na manutenção, no sistema de degelo e na fiscalização. O relatório foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre a apresentação de denúncia. As famílias acompanham cada etapa, esperando que os responsáveis sejam julgados e punidos.
Em nota, a Voepass afirmou que compreende que o relatório da PF integra a fase investigatória e “aguardará os próximos desdobramentos processuais, e, se for o caso, exercerá plenamente seu direito de defesa, nos termos da legislação vigente”.
O caso também reacendeu o debate sobre a segurança aérea no Brasil. Um ex-piloto que fez 40 alertas à empresa antes da tragédia virou peça-chave na investigação, e um inspetor da Anac presenciou falha no sistema de degelo em voo 11 meses antes do acidente. A agência reguladora prometeu investigar os apontamentos da PF sobre a fiscalização.
Para as famílias, a conclusão do inquérito é apenas uma etapa. A luta por justiça segue, com a esperança de que a memória das 62 vítimas seja honrada por meio da responsabilização de todos os envolvidos.
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