Fazendeiro desaparecido é encontrado carbonizado dentro de caminhonete em Goiás; caseiro é solto após audiência de custódia

O corpo do fazendeiro Cleuber Parreira da Silva, de 66 anos, que estava desaparecido desde a última terça-feira (4), foi encontrado carbonizado dentro de sua caminhonete na zona rural de Caturaí, na Região Metropolitana de Goiânia. A localização ocorreu na tarde do dia seguinte, quarta-feira (5), após intensas buscas realizadas por familiares e autoridades locais. A informação foi confirmada pela TV Anhanguera, afiliada da Rede Globo na região.

Segundo as investigações iniciais, Cleuber havia saído de sua residência na capital goiana com destino ao sítio de sua propriedade, mas não retornou e não fez mais contato com a família. O corpo foi achado dentro do veículo, já em avançado estado de carbonização, o que dificultou a identificação imediata, mas que foi confirmada por familiares e por exames periciais.

Suspeito preso e solto após audiência de custódia

O principal suspeito do crime é André de Oliveira Souza, de 34 anos, que atua como caseiro em uma propriedade rural vizinha ao sítio da vítima. A suspeita recaiu sobre ele após o carro de André ter sido identificado por câmeras de segurança e testemunhas nas proximidades do local do crime. Ele foi preso em flagrante, mas, durante a audiência de custódia, o juiz Demétrio Mendes Ornelas Júnior decidiu pela soltura, sob a justificativa de que o prazo legal de flagrância já havia expirado.

Na decisão, o magistrado afirmou que há “elementos robustos que demonstram a materialidade do crime e os indícios de autoria” de André, mas que a prisão em flagrante se tornou ilegal por decurso de tempo. Com isso, o caseiro responderá ao processo em liberdade, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Defesa contesta acusações e família nega desavenças

A defesa de André, representada pelo advogado Leonardo Kennedy, contesta veementemente as acusações. Em nota, a defesa afirma que André não é o suspeito do crime e que os testemunhos dados à polícia descrevem “uma pessoa completamente diferente de André, tendo apenas emprestado e cedido seu veículo a terceiro, prática comum entre vizinhos de chácaras”.

O advogado também destacou que uma testemunha relatou ter visto, dentro do carro do caseiro, “um homem de pele morena, rosto fino, usando boné preto, camisa preta, calça jeans e dois brincos, um em cada orelha”. Segundo Kennedy, as características são totalmente distintas das de seu cliente: “André não é moreno, é preto, não tem rosto fino, tem rosto arredondado, não usa brincos e não tem orelha furada e estava trabalhando em local diverso no momento relatado”.

Em entrevista ao g1, o sobrinho da vítima, Pedro Henrique da Silva, afirmou que a família desconhece qualquer tipo de desavença ou desentendimento entre o tio e André. “Muito pelo contrário, ele tinha uma boa relação com os vizinhos de sítio, inclusive com o André”, disse. Pedro também expressou o choque da família diante da brutalidade do crime: “Cleuber era um filho, pai e avô muito amoroso, um homem honesto e trabalhador. Não merecia isso”.

Panorama e repercussão

O caso ganhou grande repercussão na região metropolitana de Goiânia, não apenas pela violência do crime, mas também pela controvérsia em torno da soltura do suspeito. A decisão judicial reacendeu o debate sobre os limites da prisão em flagrante e a celeridade processual em casos de homicídio. Especialistas apontam que, embora a lei seja clara quanto ao prazo de 24 horas para a apresentação do preso à autoridade judicial, a complexidade das investigações e a distância entre os locais de ocorrência e os fóruns podem comprometer a efetividade da justiça.

Enquanto isso, a Polícia Civil de Goiás segue com as investigações para esclarecer as circunstâncias do crime e identificar possíveis outros envolvidos. A família de Cleuber aguarda o desenrolar do processo e pede que a justiça seja feita. O caso também levanta questionamentos sobre a segurança na zona rural, onde conflitos entre vizinhos e trabalhadores rurais, embora não sejam raros, raramente chegam a esse nível de violência.

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