Uma pesquisa recente acendeu o alerta no setor agropecuário brasileiro: javalis criados no país estão carregando bactérias multirresistentes, capazes de driblar os principais antibióticos usados na medicina humana e veterinária. O estudo, que ainda não foi publicado em periódico científico, aponta para um risco silencioso que pode se espalhar pela cadeia alimentar e pelo meio ambiente.
Os micro-organismos encontrados nos animais são classificados como de alta preocupação pela Organização Mundial da Saúde (OMS), justamente por sua capacidade de resistir a múltiplos tratamentos. A presença dessas bactérias em javalis criados em cativeiro sugere que o uso indiscriminado de antimicrobianos na produção animal pode estar criando um reservatório de superbactérias, com potencial de transmissão para humanos e outros animais.
Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a situação exige medidas urgentes de vigilância sanitária e controle do uso de antibióticos nas fazendas. A falta de regulamentação específica para a criação de javalis no Brasil agrava o cenário, já que muitos criadores operam sem fiscalização adequada, o que dificulta a identificação precoce de surtos e a adoção de boas práticas de manejo.
O próximo passo esperado é que o Ministério da Agricultura e a Anvisa sejam provocados a discutir políticas públicas voltadas à saúde única, que integre a saúde animal, humana e ambiental. Enquanto isso, a comunidade científica cobra transparência dos criadores e mais investimento em pesquisas que mapeiem a extensão do problema, antes que as superbactérias se tornem uma crise de saúde pública de proporções incontroláveis.
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