Operação nacional desmantela rede de anabolizantes falsos com participação de veterinários e lucro de R$ 500 mil mensais

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal resultou na prisão de 40 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa dedicada à fabricação, venda e distribuição de anabolizantes clandestinos e outras substâncias controladas. As investigações, que duraram meses, revelaram um esquema sofisticado que operava há pelo menos 12 anos, com ramificações em nove estados brasileiros e no Paraguai, e que movimentava lucros superiores a R$ 500 mil por mês.

Os mandados foram cumpridos no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Norte, Paraíba e Acre. No Paraguai, três suspeitos foram detidos na cidade de Cidade del Leste, na fronteira com Foz do Iguaçu. Entre os presos está Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como “Jiraiya”, apontado pelas autoridades como o líder do esquema.

Estrutura criminosa e papel dos veterinários

De acordo com a polícia, a organização era dividida em núcleos especializados. Um deles era responsável pela produção de rótulos falsificados que imitavam marcas legítimas de anabolizantes. Outro núcleo contava com a participação de nutricionistas e treinadores físicos, que divulgavam os produtos ilegais em academias e redes sociais. O elo mais preocupante, no entanto, era a atuação de médicos veterinários, que emitiam receitas falsas para que os laboratórios clandestinos tivessem acesso a substâncias de uso controlado, restritas a animais.

O delegado Rodrigo Carbone, da Divisão de Defesa do Consumidor, explicou o modus operandi: “A gente chama, na expressão do jargão que eles usam, de ‘cozinheiros de anabolizante’. Cozinheiro por quê? Porque ele prepara a substância. Pega um insumo de um lugar, pega de outro e, com conhecimento empírico ali da prática, não tem conhecimento médico ou farmacológico nenhum. Daí a gravidade, porque eles inclusive incluem até óleo de cozinha dentro, substâncias que não têm nenhum vínculo com a necessidade de colocar ali, mas que são nocivas”.

Impactos e consequências legais

A operação resultou na apreensão de 25 carros de luxo, no bloqueio de quase R$ 33 milhões em bens e valores, no fechamento de 13 estabelecimentos comerciais e na retirada do ar de 22 perfis de redes sociais utilizados para a venda dos produtos. Os suspeitos deverão responder por crimes como formação de quadrilha, falsificação de medicamentos, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas.

O Jornal Nacional tentou contato com a defesa de Roberto Carlos Pereira de Carvalho, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

O caso acende um alerta para os riscos do consumo de anabolizantes sem prescrição médica, que podem causar danos graves à saúde, incluindo problemas cardíacos e hepáticos. A investigação também reforça a necessidade de fiscalização rigorosa sobre a emissão de receitas veterinárias e a venda de substâncias controladas, que muitas vezes são desviadas para o mercado ilegal.

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