O juízo da 3ª Vara Especializada em Organização Criminosa da Capital aceitou a denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) contra 26 pessoas acusadas de integrar uma rede criminosa hierarquizada e estruturada, articulada por membros da facção criminosa Terceiro Comando Puro (TCP). O grupo praticava delitos patrimoniais, especialmente extorsão e roubos com restrição da liberdade das vítimas, além de estelionatos. A decisão também decretou a prisão preventiva de dois integrantes: Íris Maurício da Silva Almeida e Vilmara de Morais.
De acordo com a denúncia, o esquema funcionava com a criação de anúncios falsos de venda de veículos em plataformas como o marketplace do Facebook e o site OLX. As vítimas eram induzidas a se deslocar até o município de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, acreditando que comprariam um automóvel. Ao chegarem ao local, eram surpreendidas por criminosos armados, que as mantinham sob domínio, subtraíam pertences — incluindo cartões de crédito usados em maquininhas fornecidas por integrantes pré-determinados — e as obrigavam a fazer transferências bancárias.
Além dos golpes com veículos, o grupo também atuava com falsos anúncios de locação e venda de imóveis. As vítimas eram atraídas e, após efetuarem transferências bancárias para garantir a locação ou compra, nunca mais obtinham resposta. A investigação revelou que os denunciados faziam parte do núcleo financeiro da organização, responsável pela lavagem de capitais por meio de fracionamento dos valores obtidos, com transferências sucessivas e pulverização dos recursos, dificultando o rastreamento do dinheiro.
A ação é mais um desdobramento do combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro, que tem sido alvo de operações conjuntas entre o MPRJ e as polícias. A decisão reforça o endurecimento contra facções que atuam em delitos patrimoniais, um problema que afeta diretamente a população fluminense e a economia local.
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