Operação Severus: PF e CGU investigam fraudes em licitações e desvio de R$ 2 milhões em Gongogi (BA)

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram, nesta quarta-feira (26), a Operação Severus, com o objetivo de desarticular um esquema criminoso voltado a fraudes em licitações e desvio de verbas públicas no município de Gongogi, no sul da Bahia. A ação cumpre 33 mandados de busca e apreensão em oito municípios baianos, e a Justiça autorizou o bloqueio de bens dos investigados até o montante de R$ 2 milhões.

As investigações, conduzidas em conjunto pela PF e pela CGU, apontam para a existência de um esquema sofisticado de direcionamento de licitações e superfaturamento de contratos, com indícios de desvio de recursos federais repassados ao município. Os mandados foram expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e estão sendo cumpridos em cidades como Gongogi, Itagibá, Aurelino Leal, Ubatã, Ibirataia, Jequié, Salvador e Vitória da Conquista.

De acordo com as autoridades, o esquema envolvia a participação de agentes públicos, empresários e intermediários, que atuavam de forma coordenada para fraudar o caráter competitivo das licitações, superfaturar contratos e desviar os valores em proveito próprio. A operação recebeu o nome de Severus, em referência à rigidez e à severidade com que as medidas judiciais foram aplicadas, além de remeter ao personagem da saga Harry Potter, conhecido por sua postura implacável.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam documentos, computadores, celulares e outros materiais que poderão auxiliar nas investigações. A Justiça também determinou o sequestro de bens, como imóveis, veículos e valores em contas bancárias, até o limite de R$ 2 milhões, para garantir o ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação.

As investigações tiveram início após auditorias da CGU identificarem irregularidades em contratos firmados pela prefeitura de Gongogi, especialmente na área de obras e serviços de engenharia. Os indícios apontam que as fraudes ocorreram entre os anos de 2021 e 2025, envolvendo recursos provenientes de convênios com o governo federal, como os destinados à saúde, educação e infraestrutura.

Os investigados poderão responder pelos crimes de fraude a licitação, desvio de verbas públicas, corrupção ativa e passiva, associação criminosa e lavagem de dinheiro, cujas penas somadas podem ultrapassar 20 anos de reclusão. A PF e a CGU não descartam novas fases da operação, bem como a inclusão de novos investigados, à medida que as provas forem analisadas.

O caso ganha relevância no cenário político baiano, pois evidencia a necessidade de maior fiscalização sobre a aplicação de recursos públicos em municípios de pequeno porte, que muitas vezes dependem de transferências federais para manter serviços essenciais. A ação conjunta entre a PF e a CGU reforça o compromisso das instituições no combate à corrupção e à má gestão, em um momento em que a sociedade cobra transparência e eficiência no uso do dinheiro público.

As autoridades reforçam que a população pode contribuir com denúncias anônimas por meio dos canais oficiais da PF e da CGU, que garantem o sigilo da identidade do denunciante.

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