O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não conseguiu registrar, nesta quinta-feira (13), sua candidatura à Presidência da República após aparecer filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral. O caso, que já é analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), levanta suspeitas de fraude e acende um alerta sobre a segurança dos sistemas eleitorais em um momento decisivo do calendário político.
A advogada da campanha, Maria Claudia Bucchianeri, classificou a situação como “inequívoca fraude”. Segundo ela, a alteração foi identificada quando a equipe jurídica começou a reunir os documentos necessários para protocolar o pedido de registro. A advogada afirmou que já acionou o TSE e aguarda uma reunião com o presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, para tratar do caso.
Investigação em curso
Bucchianeri destacou que ainda não há elementos para apontar a causa da alteração cadastral, mas citou um episódio semelhante ocorrido em 2022, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareceu filiado ao PL no sistema eleitoral. “Precisamos entender se foi hacker, uma venda de senha, alguém que entrou no sistema dolosamente, a gente não sabe”, afirmou à GloboNews. A advogada também mencionou que, após o caso de 2022, houve aprimoramentos nos sistemas da Justiça Eleitoral para evitar ocorrências do tipo, mas que agora será necessário “abrir um inquérito para entender”.
De acordo com a defesa, a alteração ocorreu entre a noite de quarta-feira (12) e a manhã desta quinta. “É inequívoco que foi fraudulento. E aconteceu depois das 23h17 de ontem. Eu tenho uma certidão emitida no sistema do TSE de que o Flávio era candidato do PL ontem às 23h17”, detalhou Bucchianeri.
Reações e desdobramentos
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, também afirmou à GloboNews que houve uma “falsificação”, mas não detalhou como a alteração teria ocorrido. Nos bastidores do partido, integrantes atribuem o episódio a um ataque hacker. O TSE, por sua vez, realiza verificações sobre o caso.
O prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sábado (15). O PL oficializou em convenção nacional, no dia 25 de agosto, a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. As convenções partidárias, que definem os candidatos, tiveram prazo encerrado em 5 de agosto.
O episódio ocorre em um cenário político já marcado por tensões e disputas acirradas. A segurança do processo eleitoral é tema recorrente no debate público, e casos como este reforçam a necessidade de transparência e robustez dos sistemas da Justiça Eleitoral. Enquanto isso, a campanha de Flávio Bolsonaro corre contra o tempo para reverter a situação e garantir o registro dentro do prazo legal.
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