O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu, nesta quinta-feira (13), a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal (PL), após cancelar o vínculo com o partido Missão, que havia sido registrado de forma indevida. A decisão do ministro Kassio Nunes Marques, presidente da Corte, também liberou o sistema para que o PL formalize o pedido de registro da candidatura de Flávio à Presidência da República, em meio ao prazo final que se encerra às 19h de sábado (15).
O imbróglio começou quando o senador apareceu filiado ao partido Missão nos registros da Justiça Eleitoral, o que impedia o registro de sua candidatura pelo PL. Em nota, o TSE esclareceu que a filiação ao Missão “não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. O ministro Nunes Marques determinou a exclusão do vínculo com o Missão do histórico partidário e a preservação dos registros de log e acesso ao sistema, com envio do processo à Polícia Federal (PF) para investigação sobre autoria, circunstâncias e contexto da filiação irregular.
O partido Missão, por sua vez, em nota oficial, afirmou ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro” e que tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas a ação foi rejeitada pelo TSE. O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, declarou que pode comprovar que alguém acessou o e-mail do senador para confirmar a filiação e ainda clicou no aplicativo de militância da legenda. “Nós temos como COMPROVAR que alguém acessando o e-mail do Flávio apertou o botão de confirmação da filiação e ainda apertou o botão para acessar nosso app de militância”, escreveu Renan em publicação na rede social X.
Após o episódio, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo para as redes sociais, afirmando que adversários “só sabem jogar sujo”, mas que a tentativa “não funcionou e nem vai funcionar”. O senador teve a candidatura oficializada pelo PL em convenção nacional realizada em 25 de julho, dentro do prazo legal, que se encerrou em 5 de agosto.
Panorama político e impactos
A decisão do TSE ocorre em um momento crítico do calendário eleitoral, com o prazo para registro de candidaturas se esgotando. O caso expõe fragilidades no sistema de filiação partidária e levanta questionamentos sobre a segurança dos processos eleitorais, em um cenário de disputa acirrada pela Presidência. A movimentação também reforça a polarização política, com acusações mútuas entre as campanhas. Enquanto o PL busca consolidar a candidatura de Flávio Bolsonaro, o Missão tenta se desvincular da polêmica, alegando fraude. A investigação da Polícia Federal deverá esclarecer os responsáveis pelo uso indevido das credenciais, em um caso que pode ter desdobramentos jurídicos e políticos.
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