Ex-prefeito do Acre é denunciado por superfaturamento de R$ 807 mil em shows da ExpoSena 2024

O Ministério Público do Acre (MP-AC) ajuizou ação civil pública por improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Sena Madureira, Mazinho Serafim, por suspeita de superfaturamento de R$ 807 mil na contratação de três shows nacionais para a ExpoSena 2024. A denúncia aponta que a prefeitura pagou R$ 1,35 milhão, mas os artistas comprovaram ter recebido apenas R$ 543 mil. A ação também atinge o empresário Marck Johnnes da Silva Lisboa, preso e investigado na Operação Inceptio, e a empresa DHS Cruz Sociedade Ltda. (Moon Club).

De acordo com a ação, os shows contratados foram de Fernanda Brum, Batista Lima (ex-vocalista da Banda Limão com Mel) e Paraná (ex-integrante da dupla Chico Rey e Paraná). A diferença entre o valor pago e o efetivamente recebido pelos artistas caracteriza, para o MP, sobrepreço e superfaturamento, além de outras irregularidades no processo de contratação.

Investigação e pedidos do MP-AC

O MP-AC requer o bloqueio de R$ 807 mil entre os réus, além da condenação dos envolvidos e o ressarcimento integral do dano. Entre as sanções solicitadas, está a suspensão dos direitos políticos de Mazinho Serafim por até 12 anos. A ação também aponta a participação de Marck Johnnes nas tratativas e organização dos shows, mesmo sem vínculo formal com a prefeitura.

Marck Johnnes, que está preso, também é investigado pela Polícia Federal na Operação Inceptio, que apura tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a denúncia, Douglas Henrique Silva da Cruz, primo de Marck e sócio formal da DHS Cruz, seria apenas um laranja, enquanto Johnnes atuaria como sócio oculto do esquema.

Defesa dos acusados

Em nota ao g1, Mazinho Serafim negou qualquer desvio de recursos públicos. “Não recebi qualquer vantagem indevida e não agi com a finalidade de beneficiar empresas ou terceiros”, afirmou. A empresa DHS Cruz (Moon Club) disse que não foi formalmente notificada para prestar esclarecimentos. A reportagem não conseguiu contato com a defesa atual de Marck Johnnes.

Panorama político e jurídico

O caso ganha relevância em um contexto de endurecimento do combate à corrupção na administração pública. A Operação Inceptio, que investiga uma rede de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas no Acre, já resultou em prisões e denúncias contra empresários e agentes públicos. A ação contra Mazinho Serafim reforça a atuação do MP-AC em responsabilizar gestores por desvios em eventos públicos, um tema sensível para a população que depende de festas e feiras como a ExpoSena para movimentar a economia local.

Enquanto isso, a Justiça avaliará os pedidos de bloqueio e as sanções, que podem incluir a perda de direitos políticos e o pagamento de multas. A decisão deve impactar diretamente a vida política de Sena Madureira e servir de alerta para outros municípios que realizam eventos com recursos públicos.

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