O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, em live realizada nesta quinta-feira (13), que seu gabinete no Senado considerou como “spam” os e-mails de filiação ao partido Missão recebidos em sua conta institucional. A declaração ocorre após o parlamentar aparecer filiado ao Missão sem consentimento, o que inicialmente impediu o registro de sua candidatura pelo PL. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) restabeleceu a filiação ao PL ainda na tarde de hoje, mas o episódio expôs fragilidades no sistema de filiação partidária e gerou uma disputa de narrativas entre os envolvidos.
Durante a live, Flávio Bolsonaro negou qualquer participação voluntária na filiação ao Missão e classificou o ocorrido como uma fraude contra sua pessoa. “Me filiaram ilegalmente a um outro partido”, disse. “Houve mais outra mentira dizendo que eu próprio teria tentado me filiar. Mentira, obviamente. Chegou no meu gabinete alguns e-mails automáticos desse partido. Como ninguém conhece, acaba que a assessoria vê aquilo e acha que é spam”, afirmou o candidato do PL.
O senador também revelou que um dos e-mails do Missão cobrava a finalização de um PIX para completar a filiação. “Um dos spams que eu recebi no meu e-mail do Senado é reclamando que não recebeu meu pagamento em 10 dias. São centenas de e-mails por dia. Além de fraudarem minha filiação, ainda estavam cobrando”, declarou. Em tom de indignação, Flávio ainda afirmou que houve uma tentativa de filiá-lo ao PT: “Tentaram me filiar ao PT. Aí eu me senti ofendido. Eu não faço parte dessa organização criminosa de jeito nenhum”.
Missão e Renan Santos contestam versão de Flávio
O partido Missão, por sua vez, emitiu nota oficial na qual afirma ter sido “vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro”. A legenda diz que tentou cancelar a filiação no mesmo dia, mas a ação foi rejeitada pelo TSE. Já o candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, foi além e afirmou que pode comprovar que uma pessoa acessou o e-mail institucional de Flávio Bolsonaro e confirmou a filiação, inclusive clicando para acessar o aplicativo da militância do partido. Flávio não comentou diretamente a acusação de acesso indevido.
O TSE, por sua vez, informou que “a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credenciais da legenda para efetivar filiações”. A declaração do tribunal reforça a tese de que houve uma ação deliberada, e não um mero erro técnico.
Panorama político e impactos
O episódio ocorre em um momento crítico do calendário eleitoral: o prazo para o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral termina às 19h de sábado (15). A confusão envolvendo a filiação de Flávio Bolsonaro gerou instabilidade em sua campanha, que já enfrentava desafios jurídicos e políticos. Apesar do restabelecimento da filiação ao PL, o caso reacendeu o debate sobre a segurança do sistema de filiações partidárias e a possibilidade de fraudes eleitorais.
Enquanto isso, aliados do senador minimizam o ocorrido e falam em “sabotagem” de adversários. Em vídeo publicado em suas redes sociais, Flávio afirmou que os adversários “só sabem jogar sujo”, mas que “não funcionou e nem vai funcionar”. A fala, no entanto, não foi suficiente para conter as especulações sobre a origem da manobra, especialmente após a revelação de que o TSE descartou hackeamento externo.
O caso também coloca em evidência a atuação do partido Missão, uma legenda de pequeno porte que ganhou notoriedade nacional ao protagonizar o imbróglio. Renan Santos, candidato da sigla, aproveitou o episódio para se posicionar publicamente e desafiar Flávio Bolsonaro para uma acareação. A situação promete render novos capítulos, especialmente diante da proximidade do prazo final para o registro de candidaturas.
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