Reciprocidade comercial ao tarifaço dos EUA pode levar 9 meses e decisão final fica para o próximo governo

O governo brasileiro deu início, nesta quinta-feira (13), ao processo formal para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos, em resposta ao tarifaço imposto pelo governo norte-americano a produtos brasileiros. No entanto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, revelou que o processo pode levar até 9 meses, o que, na prática, deixaria a decisão final para o próximo governo. A informação foi dada ao blog da jornalista Ana Flor, do G1, nesta sexta-feira (14).

O mecanismo utilizado é a Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025. A lei permite que o Brasil adote as mesmas medidas, restrições ou tarifas impostas por outra nação, como forma de reequilibrar as relações comerciais e proteger a economia nacional. Antes da lei, o país só podia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), o que tornava a resposta mais lenta e burocrática.

Processo longo e decisão política

Segundo o ministro, a primeira fase de análise terá duração de 60 dias, mas o processo completo pode se estender por cerca de 9 meses, adentrando 2027. “A lei não estabelece prazos peremptórios e a deliberação pode levar cerca de 9 meses. Mas a qualquer tempo, iniciado o processo, o Brasil pode tomar alguma medida em caráter de urgência”, afirmou Márcio Elias Rosa, deixando claro que o governo não descarta respostas imediatas, caso necessário.

A declaração do ministro ocorre em um momento de tensão comercial global, com os Estados Unidos adotando tarifas unilaterais sobre diversos países, incluindo o Brasil. O governo brasileiro, por sua vez, sinaliza que prefere o diálogo e a negociação, utilizando canais diplomáticos e organismos multilaterais, enquanto o governo Trump age de forma unilateral e baseada em interesses próprios.

Panorama político e econômico

A decisão de retaliar ou negociar com os EUA é vista como política e estratégica, envolvendo não apenas o atual governo, mas também o cenário eleitoral de 2026. Com a possibilidade de a decisão final ficar para o próximo governo, o tema deve ganhar destaque na campanha presidencial, com candidatos precisando se posicionar sobre a relação comercial com os Estados Unidos e a defesa da indústria nacional.

Enquanto isso, o Brasil busca calibrar sua resposta, evitando prejudicar setores que dependem do comércio bilateral. A Lei de Reciprocidade prevê contramedidas como a imposição de tarifas sobre importações de bens e serviços, além da suspensão de concessões em propriedade intelectual, mas o governo parece priorizar a negociação para reduzir as tarifas impostas pelos EUA.

O processo de reciprocidade, portanto, não é apenas técnico, mas carrega um forte componente político, que pode influenciar as relações bilaterais nos próximos anos. A expectativa é que o governo utilize todos os instrumentos disponíveis para proteger a economia brasileira, sem abrir mão do diálogo internacional.

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