Operação da PF contra Cláudio Castro aprofunda crise política no reduto eleitoral de Flávio Bolsonaro

A operação da Polícia Federal (PF) deflagrada nesta sexta-feira (14) contra o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, e aliados por supostas fraudes na refinaria Refit representa mais um revés político para o grupo de Flávio Bolsonaro (PL), em um reduto eleitoral historicamente favorável ao bolsonarismo. A ação, que incluiu buscas no endereço de Castro, ocorre em meio a um cenário de crescentes problemas para o candidato do PL à Presidência da República no estado, onde seu pai, Jair Bolsonaro, sempre obteve vantagem eleitoral sobre o grupo do presidente Lula.

Segundo as investigações, a Refit é considerada há anos uma devedora contumaz e uma das maiores sonegadoras de impostos do estado. Na segunda gestão de Castro, a empresa passou a apoiar eventos promovidos pelo governo, o que levantou suspeitas de conivência oficial com as irregularidades. A PF apura a participação do ex-governador e de seus aliados em esquemas de sonegação que teriam contado com o apoio do governo estadual.

Reveses em série no Rio

Esta não é a primeira vez que Cláudio Castro é alvo de investigações da PF. O ex-governador, que inicialmente planejava disputar uma vaga no Senado Federal, foi obrigado a desistir do projeto após a pressão das investigações. Outro nome ligado à chapa do PL no Rio, Marcio Canella, do União Brasil, também foi alvo de operação da PF e forçado a abandonar a candidatura ao Senado. Canella, deputado estadual mais votado do estado em 2022, com reduto em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, foi preso após a apreensão de um fuzil em seu carro.

O caso de Canella gerou atrito interno. Aliados de Flávio Bolsonaro pressionaram o União Brasil a substituí-lo para evitar contaminação da imagem do candidato, o que não foi bem recebido pelo partido. Como consequência, o União Brasil decidiu não apoiar oficialmente o PL no Rio, influenciando também a neutralidade nacional da legenda, que já havia se declarado neutra junto com o Progressistas.

Panorama político e estratégias

Interlocutores de Flávio Bolsonaro avaliam que ele precisa se afastar de aliados envolvidos em operações recentes da PF, que têm servido para isolá-lo exatamente em seu reduto eleitoral. A recomendação é fortalecer agora dois nomes no estado: o deputado Altineu Cortes e o senador Carlos Portinho, como forma de reestruturar a base política no Rio. A crise, no entanto, evidencia a fragilidade do grupo diante de sucessivas baixas e investigações, o que pode impactar diretamente a estratégia nacional do PL para 2026.

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