O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu inquérito para investigar se o senador Weverton Rocha (PDT-MA) articulou, com auxílio de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), uma blindagem para atrapalhar as investigações sobre o assassinato do empresário João Bosco Sobrinho, ocorrido em 2022 no Maranhão. A Polícia Federal (PF) encontrou no celular do parlamentar comunicações reiteradas com o ministro Humberto Martins, do STJ, que decidiu transferir o condenado pelo crime para a Penitenciária Federal de Brasília. O caso ganhou novos contornos com a suspeita de atuação de um grupo organizado para obstruir a Justiça, incluindo o repasse de R$ 160 mil em espécie a familiares do executor.
De acordo com a PF, a análise do material extraído do aparelho celular de Weverton Rocha revelou contatos diretos com o ministro Humberto Martins entre 25 de janeiro de 2023 e 4 de outubro de 2025. As comunicações ocorreram por mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias. Um dos contatos teria ocorrido no dia 2 de junho de 2025, exatamente na data da transferência de Gilbson Cutrim Soares Júnior, condenado a 13 anos de prisão pela Justiça do Maranhão como executor do homicídio. O ministro Humberto Martins, porém, não é investigado no inquérito.
Investigação aponta obstrução organizada
A PF quer entender o papel do senador no desdobramento das investigações, pois há indícios de atuação de um grupo organizado deliberadamente para obstruir a apuração, que começou na Justiça estadual do Maranhão, passou pelo STJ e agora chegou ao STF. Além de Weverton Rocha, a PF também investiga Raimundo Cutrim, ex-secretário do Maranhão, que está em prisão domiciliar neste caso. Ele foi alvo de busca e apreensão autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da PF, que o aponta como informante de um jornalista investigado por perseguir o ministro Flávio Dino.
Segundo a PF, Raimundo Cutrim teria atuado para garantir silêncio absoluto sobre a suposta participação de agentes públicos e de integrantes da família do governador do Maranhão, Carlos Brandão, no caso. A corporação afirma que ele repassou cerca de R$ 160 mil em espécie a familiares do assassino para alterar depoimentos. O montante teria sido fracionado em três parcelas: R$ 80 mil, R$ 50 mil e R$ 30 mil, entregues no imóvel vinculado a Raimundo Cutrim, no bairro Vinhais, em São Luís/MA.
Panorama político e desdobramentos
O caso ocorre em um momento de forte atenção do STF a supostas interferências políticas em investigações criminais. A suspeita de que um senador tenha usado contatos com um ministro do STJ para influenciar a transferência de um condenado levanta questionamentos sobre a independência do Judiciário e a relação entre poderes. A PF também investiga se Raimundo Cutrim atuou como elo entre o grupo e a família do governador, o que pode ampliar o alcance político do caso. As investigações seguem sob sigilo, mas o STF autorizou novas diligências, incluindo buscas e apreensões, para esclarecer a participação de cada envolvido.
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