O governo federal terá até 60 dias para apresentar o primeiro relatório sobre a aplicação da Lei da Reciprocidade em resposta ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos. O documento, que ainda passará por um processo considerado longo, pode culminar na criação de um grupo de trabalho para elaborar propostas de contramedidas, como taxas sobre produtos americanos.
A avaliação interna é que a Lei da Reciprocidade funciona como ferramenta de negociação com os americanos, mais do que como instrumento de retaliação imediata. O governo quer usar o mecanismo para pressionar Washington a rever as tarifas, mas sem fechar as portas para um acordo.
O prazo de 60 dias é apenas a primeira etapa de um rito que envolve análises técnicas, consultas ao setor produtivo e, possivelmente, votação no Congresso. Nos bastidores, a leitura é de que o processo será conduzido com cautela para evitar escalada comercial com os EUA, principal parceiro do Brasil fora da América do Sul.
Enquanto isso, o governo tenta demonstrar firmeza sem romper o diálogo. A expectativa é que, após o relatório, haja uma rodada de negociações diretas com os americanos antes de qualquer medida concreta. O próximo passo será a definição do grupo de trabalho e o cronograma de audiências públicas.
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