Em decisão que chocou a região sul do Tocantins, o ex-vereador de Sandolândia, Genivaldo Mendes da Silva, foi condenado a 41 anos e três meses de prisão em regime fechado por ser o mandante do feminicídio contra a técnica de enfermagem Daiany Batista de Carvalho, de 31 anos. O julgamento, realizado em Gurupi, também condenou Faustino Ferreira Madeira, executor dos disparos, a 34 anos, quatro meses e 15 dias de reclusão. A sentença, à qual o g1 teve acesso, reconheceu que o crime foi cometido por razões de menosprezo e discriminação à condição de mulher, uma vez que o ex-vereador não aceitava o relacionamento homoafetivo que sua ex-companheira mantinha com a vítima.
Segundo a investigação, Genivaldo Mendes da Silva pagou R$ 5 mil a Faustino Ferreira Madeira e o levou até o local do crime, em Figueirópolis, onde Daiany Batista de Carvalho foi surpreendida ao sair do trabalho, quando seguia para seu veículo. A vítima foi atingida por três tiros, sendo que ao menos um perfurou o coração, causando morte imediata. A Justiça destacou que a ação foi inopinada, pegando a vítima desprevenida e sem chance de defesa, o que agravou a pena.
Confissão e motivação
Na época da prisão, em novembro de 2025, Genivaldo Mendes da Silva confessou à polícia que encomendou a morte de Daiany por R$ 5 mil. A motivação, segundo os autos, foi a não aceitação do relacionamento homoafetivo entre sua ex-companheira e a técnica de enfermagem. A ex-companheira, em depoimento, informou que os filhos ainda passam por acompanhamento psicológico e psiquiátrico devido ao “severo trauma emocional” causado pelo assassinato.
Reações das defesas
A defesa de Genivaldo Mendes da Silva classificou a decisão como injusta e argumentou que o ato não configura feminicídio, pois ele não tinha vínculo afetivo ou familiar com a vítima. A defesa também negou que ele tenha dado a ordem para o crime e afirmou que recorrerá da sentença. Já a defesa de Faustino Ferreira Madeira informou que já entrou com recurso, pedindo a anulação do julgamento e a realização de novo júri, por entender que a decisão dos jurados foi contrária às provas dos autos.
Panorama e impacto
O caso ganhou repercussão nacional por envolver um ex-vereador e por evidenciar a violência motivada por LGBTfobia, que se soma aos alarmantes índices de feminicídio no Brasil. A condenação é vista como um precedente importante para o enfrentamento de crimes de ódio contra mulheres e contra a comunidade LGBTQIA+. A sentença reforça a necessidade de políticas públicas de proteção e de punição exemplar para crimes dessa natureza, que frequentemente ficam impunes. A Justiça do Tocantins, ao reconhecer o feminicídio mesmo sem vínculo afetivo direto, amplia a interpretação da lei, alinhando-se à jurisprudência que considera a violência de gênero em qualquer contexto de menosprezo à condição feminina.
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