MP denuncia fabricante de rações por morte de 80 cavalos e prejuízo de R$ 82 milhões em haras de Alagoas

O Ministério Público do Estado de Alagoas (MP-AL) denunciou, nesta segunda-feira (17), a empresa de rações Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A. pela morte de 80 cavalos do Haras Nova Alcatéia, em Alagoas, causando um prejuízo estimado em R$ 82 milhões. Os animais, da raça Mangalarga Marchador, teriam morrido após consumirem as rações NutriMax e Forragem Horse, que, segundo laudo do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), continham elementos tóxicos como monocrotalina e alcaloide pirrolizidínico.

O promotor de Justiça Ary Lages Filho explicou que o laudo comprova a contaminação decorrente da ração oferecida pela Nutratta, o que provocou falência orgânica compatível com intoxicação alimentar. Além disso, o MP-AL requereu o sequestro e a indisponibilidade de bens móveis e imóveis, ativos financeiros e participações societárias da empresa e dos denunciados, como forma de garantir eventual reparação dos danos.

Prejuízo além do financeiro: perda de animal avaliado em R$ 12 milhões

Entre os animais mortos estava o cavalo Quantum de Alcatéia, avaliado em R$ 12 milhões, considerado uma das grandes promessas da raça Mangalarga Marchador, principalmente pela capacidade reprodutiva. A morte desse animal representa um golpe significativo para o haras, que perde não apenas um bem de alto valor, mas também um potencial genético valioso.

De acordo com o MP-AL, após o consumo da ração, os animais apresentaram sintomas como letargia, ataxia, cegueira, compressão cefálica, insuficiência hepática e marcha em círculos, indicativos claros de intoxicação. O caso ganha contornos ainda mais graves quando se considera que, além dos 80 equinos mortos no Haras Nova Alcatéia, foram registradas pelo menos outras 284 mortes de cavalos em vários estados do país, sugerindo um problema sistêmico na fabricação e distribuição dos produtos da Nutratta.

O g1 tenta contato com a Nutratta Nutrição Animal Limitada S.A. para obter posicionamento sobre a denúncia, mas até o fechamento desta matéria não obteve resposta.

O caso levanta preocupações sobre a fiscalização de insumos agropecuários e a segurança alimentar animal no Brasil, além de reforçar a necessidade de responsabilização rigorosa de empresas que coloquem em risco a saúde de animais e a economia de produtores rurais. A denúncia do MP-AL é mais um capítulo na luta por justiça e transparência no setor, que já enfrenta outros desafios, como a recente investigação sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo e a operação que autuou empresa por crime ambiental em Alagoas.

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